Canteiros e praças esperam por adoção
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quinta-feira, 24 de outubro de 2002
Giovana Kindlein<br> Reportagem Local 
O mato toma conta do meio-fio da calçada e recobre a grama dos canteiros da ''pracinha do meio'', como o local ficou conhecido, na Rua Humaitá (área central de Londrina). Sem flores ou plantas ornamentais, ela é uma das 572 praças e canteiros existentes na cidade que sofrem pelo descuido e falta de manutenção. Para mudar esse quadro, a Secretaria Municipal do Ambiente (Sema) pretende revitalizar o projeto Adote Um Jardim, criado e implantado pela Lei Municipal 7.112, há 11 anos. ''Queremos multiplicar o número de empresas e comércio que promovem a conservação dessas áreas públicas'', afirma o coordenador do projeto, Ediléo Antunes.
Das 572 praças, canteiros e fundos de vale em Londrina, apenas 125 são mantidos pela iniciativa privada através do projeto. Em troca da manutenção, que varia de preço conforme o tamanho, as empresas podem explorar a publicidade, de acordo com as especificações da lei. Hoje, 40 empresas adotaram a conservação e jardinagem de espaços públicos, sob a supervisão e fiscalização ambiental da secretaria, o que lhes dá o direito de afixar no local placas de publicidade de 35x70 centímetros, com uma distância de 50 metros entre elas.
Atualmente 15 interessados manifestaram intenção em aderir ao projeto e aguardam vistoria técnica. ''O processo de parceria é simples'', diz Antunes. A Padaria e Lanchonete Moinho do Vale, no Jardim Califórnia, pretende adotar um trecho do canteiro central na Avenida Salgado Filho, próximo à Rua Dolores Maria Bruno. ''O aspecto é feio com mato crescido'', considera o gerente Zakai Becol. De uma maneira bonita, acredita ele, poderá sinalizar e indicar melhor a localização de sua lanchonete. A Marajó Belavia Automóveis Ltda. é uma das empresas que aderiu ao projeto desde o início, em 1992. Ela responde pela jardinagem da rotatória das avenidas Juscelino Kubitschek e Higienópolis (área central).
Entretanto, há pessoas que mantêm praças e canteiros de forma espontânea, sem qualquer interesse publicitário. É o caso da dona de casa Lúcia Lopes Manseira, 56 anos, que dedica parte do seu tempo ao canteiro central da Rua Estados Unidos, no Conjunto Jurumenha (zona sul). ''É o meu jardim'', fala com orgulho. O capricho dedicado ao espaço público por ela encanta qualquer pedestre que passe pelo local. O jardim é bem cuidado, florido e bonito.
A dona de casa cuida das rosas vermelhas, da chuva-de-prata branca, do pingo-de-ouro verde claro e da grama amendoim verde escura. Ela molha, poda, coloca esterco e retira pétalas murchas das 40 roseiras plantadas há três anos. Mas a incoerência urbana aparece na falta de atenção com outros espaços semelhantes. A ''pracinha do meio'', como é chamada pelos moradores da Rua Humaitá, sofre com o desrespeito.
Não bastasse o mato que cresce junto ao meio-fio das calçadas, segundo o morador Hélio Rufino, é fácil encontrar calcinha velha pendurada no tronco das árvores, seringas e até camisinhas pelo chão. Situação parecida viveu o comerciante Eduardo Silva, 33 anos, enquanto caminhava pelo canteiro central da Avenida Ademar de Barros, nas proximidades da Avenida Harry Prochet (zona sul). ''Encontramos três calcinhas penduradas nos galhos'', relembra ele.
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