Começou ontem o ano letivo para a primeira turma de operários da construção civil de Londrina, que está voltando à escola. É o Projeto de Escolaridade Construindo o Cidadão, promovido pelos sindicatos de Trabalhadores (Sintracom) e da Indústria da Construção Civil (Sinduscom Norte) e pela Federação dos Trabalhadores na Construção Civil do Paraná (Fetraconspar). O projeto conta com o apoio técnico-pedagógico da Universidade Estadual de Londrina (UEL), através do Centro de Educação Aberta e Continuada à Distância, da Associação do Programa de Educação aos Assalariados Rurais Temporários (Apeart), do Serviço Social da Indústria (Sesi) e da Folha.
As aulas desta turma são ministradas em sala especial montada no canteiro de obras da Construtora Construbloc, na Avenida Tiradentes esquina com a Maringá (zona oeste). São 28 alunos, com nove fazendo curso de alfabetização, 14 da 1ª a 4ª série e cinco da 5ª a 8ª série. Todos são operários da Construbloc.
Outros 331 operários já estão inscritos para iniciar as aulas no dia 22 de fevereiro, simultaneamente ao início do ano letivo dos estudantes da rede municipal de ensino. De acordo com os coordenadores do projeto, é bastante provável que até o final deste mês outras salas de aulas sejam montadas em canteiros de obra. ‘‘Esperamos ter até o final do ano, pelo menos, 800 alunos’’, destaca José Carlos Salgueiro, um dos coordenadores do projeto e diretor do Sinduscon, esclarecendo que há em Londrina cerca de 3.500 operários no setor.
O Projeto Construindo o Cidadão tem o objetivo de erradicar o analfabetismo entre os trabalhadores do setor e incentivar a retomada dos estudos para melhorar a qualificação profissional e pessoal dos operários. ‘‘Além disso, como o próprio nome destaca, o projeto visa contribuir para a construção da cidadania. É importante que os trabalhadores possam ter a perspectiva de melhorar a qualidade de vida e exercer plenamente a cidadania’’, enfatiza Denilson Pestana, também coordenador e presidente do Sintracon.
Para quem tem vontade nunca é tarde. Surgindo a oportunidade tem que aproveitar. Não é sacrifício para ninguém. A opinião é de Eurides Pereira dos Santos, 42 anos, pedreiro, carpinteiro e armador há mais de 25 anos. Ele concluiu o 1º grau há 15 anos, mas vai rever o período da 5ª a 8ª série. ‘‘Vou fazer de novo porque pretendo retomar o ritmo e depois fazer o 2º grau. Se possível, vou fazer até a faculdade’’, diz, empolgado.César AugustoA primeira turma de operários começou a estudar ontem: objetivo é atingir 800 alunos até final do anoÁureo Nogueira

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