Canteiro central separa as duas cidades
A funcionária pública Geraldina da Silva Rodrigues, 54 anos, mora em Cambé. Toda manhã, ela acorda cedo, abre o portão de casa, atravessa a rua e vai à padaria comprar pão. Só tem um detalhe: a padaria, que fica do outro lado da rua, a alguns metros de sua casa, fica em Londrina. Mas não tem mágica: dona Geraldina, assim como os vizinhos da Avenida Marechal Floriano Peixoto, no Jardim Novo Bandeirantes, moram exatamente no limite das duas cidades.
Para quem não conhece a região, o detalhe passa despercebido. A Avenida Floriano Peixoto é separada por um canteiro central da Avenida Valdomiro Ferreira da Silva, que pertence ao Jardim Sabará (zona oeste de Londrina). Se eu viajo, faço questão de dizer que moro em Cambé, não em Londrina. Tem que divulgar o nome da cidade. Mas o pão e o leite eu pego do lado de lá, diz dona Geraldina, que mora no Novo Bandeirantes há 24 anos. Para ser sincera, a gente se sente mais em Londrina do que em Cambé.
Com serviços telefônicos da Telepar de um lado e da Sercomtel de outro, a crise de identidade é uma constante entre os moradores da faixa de limite entre Londrina e Cambé. Quando saio de casa, a primeira coisa que eu vejo é Londrina. Quando perguntam, eu digo que moro em Cambé. Mas às vezes confunde a gente, admite Idalcina Rita dos Santos, mais ou menos 60 anos, dona do bar conhecido como Bar da Maria Baiana.
A proximidade entre as duas cidades já provocou situações inusitadas. Dona Geraldina lembra que há sete anos o canteiro central que separa as duas avenidas era varrido só pela metade: em um dia, era a parte de Londrina; em outro, a de Cambé. Até que apareceu uma égua morta bem no meio do canteiro e ninguém tirava o bicho de lá.
Meu marido comunicou de manhã a prefeitura de Londrina e nada. Falei com um vereador de Cambé, que disse que até a tarde o problema estaria resolvido. Também não resolveu. Já no finalzinho da tarde, não tive dúvidas: liguei para a prefeitura de Londrina dizendo que estava mobilizando a população e que ia chamar a imprensa. Rapidinho eles vieram e tiraram a égua daqui, disse a moradora. (L.H.)





