Cansados de esperar, pais decidem assumir reforma de salas de aula
A precariedade de algumas escolas estaduais é tão grande que os próprios pais e professores se antecipam ao governo na iniciativa de minimizar os problemas. É o caso da Escola Estadual Hugo Simas - a mais antiga de Londrina, fundada há 61 anos. Pais de alunos estão pintando as salas de aula por conta própria.
De acordo com a diretora da escola, professora Ubiracy Lobo Moreira Silva, a Secretaria de Educação prometeu a reforma para o ano passado. A Hugo Simas, o Colégio Marcelino Champagnat, de Londrina, e outras 23 escolas de outras regiões seriam reformadas com verbas do Programa de Expansão, Melhoria e Expansão do Ensino Médio (Proger), cujos recursos estavam garantidos pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (Bird). Entretanto, a reforma não passou da promessa, disse a diretora.
Ainda de acordo com a professora Ubiracy, este ano já foram enviados fax para a Secretaria de Educação e para o Instituto de Desenvolvimento Educacional do Paraná (Fundepar), mas nem justificativas foram dadas. Diante da precariedade do prédio, os próprios pais iniciaram um movimento para dar as mínimas condições de aula para seus filhos, acrescenta Ubiracy.
A advogada Tânia Iizuca Pitsilos, mãe de dois alunos da escola, é um dos líderes do movimento dos pais. Tânia destaca que no primeiro dia de aula um grupo de pais se reuniu para discutir as péssimas condições da escola e, diante da omissão do governo do Estado, decidiram arrecadar dinheiro entre eles mesmos para pintar as salas de aula.
Decidimos cumprir as promessas do governo. Somente assim nossos filhos terão as mínimas condições de higiene para estudar, enfatizou a mãe de aluno, acrescentando que não tem nenhuma expectativa de que o governo faça rapidamente a reforma necessária. Se o Estado não cuida dos hospitais e da saúde do povo, o que será das escolas e da educação?
Apesar do pessimismo, o movimento dos pais de alunos pretende cobrar dos representantes políticos os investimentos necessários para a educação. Vamos pedir a um grupo de professores aposentados que gestionem junto a políticos e empresários no sentido de que o Estado cumpra com suas obrigações, revela Tânia Pitsilos, adiantando que os pais e professores já programam venda de pizza e feijoada para arrecadar os recursos necessários para reformar as três quadras de esportes da escola.César AugustoTânia Iizuca Pitsilos, mãe de dois alunos: Decidimos cumprir promessas do governoÁureo Nogueira





