Érika Pelegrino
Com um machado e uma corda, Valdemir Peixoto, 20 anos, se aventura a uma altura de 15 metros. Objetivo: podar quatro eucaliptos. É a primeira vez que o desempregado se envolve em um trabalho do gênero. Depois de requerer diversas vezes junto à Autarquia do Meio Ambiente (AMA) a poda de algumas árvores que oferecem risco aos moradores e casas do assentamento do Conjunto Aquiles Sthenghel Guimarães (zona norte de Londrina), Maria Doralice Peixoto chamou o irmão Valdemir e juntos começaram a podar as árvores.
Na semana passada, durante um temporal, um galho do eucalipto que era podado por Valmir caiu no telhado de uma das casas do assentamento. ‘‘Por sorte não tinha nenhuma criança brincando na área de serviço’’, disse aliviada Maria do Carmo Brito dos Santos. Ela tem três filhos - um ano e nove meses, 5 e 14 anos.
Na rua 6 do assentamento, quatro árvores estão entre a fiação elétrica. ‘‘Dia desses um galho de uma das árvores caiu enquanto as crianças brincavam bem embaixo. Ainda bem que elas correram a tempo’’, afirmou Alessandra Maria de Jesus.
Na mesma rua, na casa 62, uma paineira corroída por cupim ameaça cair em cima da casa. Maria Doralice contou que já chamou a AMA várias vezes para resolver o problema. ‘‘Há dois anos, pelo menos, a gente está sempre requerendo junto à AMA que faça as podas necessárias’’, afirmou a moradora. ‘‘Na semana passada, a AMA liberou pelo telefone para que nós mesmos fizéssemos as podas’’, disse.
Na rua dois próximo à casa número 19, outra poda foi feita por Doralice e seu irmão. ‘‘Só que enfrentamos um novo problema: o carregamento dos galhos. A Comurb (Companhia Municipal de Urbanização) disse que só manda um caminhão para carregar se a gente pagar o frete’’, disse Doralice. ‘‘A gente não tem dinheiro para isso não’’.
A assessoria de imprensa da Comurb informou que não existe cobrança de fretes para este serviço e que só a partir da próxima semana estará atendendo estas chamadas. Com a transferência dos serviços operacionais da AMA para a Comurb, este é o prazo necessário para que seja feita a manutenção do maquinário, para só então a companhia assumir oficialmente os serviços, de acordo com a assessoria de imprensa.
A diretora da AMA Sandra Graça afirma desconhecer a liberação para que os próprios moradores fizessem a poda. ‘‘Este é um trabalho que precisa ser feito com cuidado, para evitar acidentes’’, declarou. Ela explicou que os atendimentos de poda eram feitos por ordem cronológica de acordo com a entrada de requerimentos na autarquia. ‘‘Em casos de emergência, damos preferência para o serviço requisitado’’, garantiu.

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