Caneta-revólver dispara e fere assessor
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quinta-feira, 31 de julho de 2003
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O manuseio de uma caneta-revólver calibre 22 acabou provocando um acidente, na manhã de anteontem, dentro da Secretaria de Estado de Segurança Pública, em Curitiba. O assessor Luiz Gabriel Costa Passos, 56 anos, teve a mão direita atingida por um projétil quando conversava com o secretário de Estado da Segurança, Luiz Fernando Delazari. Passos estaria com a caneta que seria um presente do ouvidor das polícias Luiz Bordenowski ao secretário na mão, quando ela disparou. O uso deste tipo de arma é proibido no Brasil.
Passos foi encaminhado ao hospital e submetido a cirurgia reconstrutora. O prójetil entrou pela palma da mão e saiu pelo dorso, provocando fratura de um dos ossos. Ele foi liberado na manhã de ontem e terá que fazer fisioterapia para recuperar os movimentos dos dedos.
A Corregedoria da Polícia Civil recebeu ontem um ofício para investigar sobre a caneta-revólver. De acordo com a Associação dos Delegados de Polícia (Adepol), que entrou com a representação, o ouvidor Luiz Bordenowski cometeu dois delitos: porte ilegal de arma e contrabando. De acordo com presidente da Adepol, Fauze Salmen, a caneta-revólver se enquadra na categoria de armas dissimuladas, de uso proibido. '' Corregedoria tem que, obrigatoriamente, abrir inquérito'', afirmou.
De acordo com o centro de comunicação social do Exércio, o uso, fabricação, venda e importação de caneta-pistola são proibidas no Brasil. Em casos excepcionais, é autorizada a posse por colecionadores, mas somente se a arma proceda de fábrica legalmente registrada no país de origem. ''Nesse caso, a peça não pode ser portada, devendo ser guardada em local seguro ou mostrada em exposições'', diz a nota. O uso sem autorização é crime previsto na Lei 9.437 de 1997.
No início da noite de ontem, o governo estadual divulgou nota de esclarecimento sobre o ocorrido. Segundo a nota, Delazari recebeu de Bordenowski uma caneta-revólver que pertencia ao acervo pessoal do professor Edward Resende Pimenta, já falecido, que foi delegado e corregedor-geral da Polícia Civil. O objeto foi entregue anteontem para ser enviado à Delegacia de Armas e Munições, diz a nota. A secretaria informou que o fato foi comunicado à Polícia Civil e que a perícia técnica foi chamada. Procurado pela Folha, Bordenowski não quis dar entrevista. A esposa de Luiz Gabriel Passos, Diva Passos, disse ele está sendo mantido sedado por causa das dores fortes e não poderia dar entrevista. O secretário não quis falar sobre o assunto. (Colaborou Rosana Félix)


