Cândido cobra resultados e prefere elogiar Noronha
O novo delegado-geral Newton Rocha assumiu ontem ouvindo ameaças. Esse foi o tom do discurso do secretário da Segurança Pública, Cândido Martins de Oliveira, que teve seu candidato ao cargo, Ricardo Noronha, preterido. Num discurso empolgado, lembrando fatos do passado e elogiando Noronha, Cândido Martins disse que Rocha tem total liberdade para escolher os assessores, mas que os resultados serão cobrados.
Tudo normal, não fossem os contornos políticos que nortearam a disputa pelo posto. Nos bastidores, inúmeros delegados afirmam que as cobranças antecipadas são a preparação de uma futura carta de demissão. Embora a categoria pareça ter aceitado tranquilamente a indicação, ninguém nega que Rocha vai precisar de muito jogo de cintura para se manter no poder.
Vamos criar um setor de controle de metas e administrar por objetivos. O delegado-geral tem ampla liberdade e responsabilidade. Os auxiliares serão cobrados e exigidos pelo secretário, que deve satisfação ao governo do Estado, disse Cândido.
Ricardo Noronha, que esteve perto do mais alto cargo da Polícia Civil, acredita que Cândido faz sua obrigação ao cobrar resultados. Ele vai cobrar de todos que ocupam cargos de chefia, disse. Vai cobrar resultados e empenho ainda mais agora, na sua segunda gestão. Para Noronha, o secretário vai tentar executar os planos que não executou na primeira gestão.
Com mais de 25 anos de polícia, o novo delegado-adjunto, Edson Pilati, tem discurso semelhante ao de Rocha. Para ele, que ocupa a função pela segunda vez, não há rachas e a aceitação da indicação de Rocha demonstraria que a polícia está pacificada. Não haverá problemas nesse aspecto, afirmou.





