Candidatos suam a camisa em provas da Acesf
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segunda-feira, 25 de agosto de 2003
Vanessa Navarro<br> Reportagem Local 
''Esse trabalho não é nada fácil.'' A conclusão do preparador de cadáveres Antônio Ribeiro, após 26 anos no ofício, é a mesma a que estão chegando candidatos a uma vaga no concurso da Autarquia de Serviços Especiais de Londrina (Acesf). Depois de passarem pelos testes teóricos, é a vez de ''botarem a mão na massa'' e provarem que, apesar de nunca terem trabalhado com os mortos, eles têm coragem, força e habilidade suficientes para seguir adiante. As provas práticas para os cargos de coveiro, florista e preparador de cadáver começaram ontem. Os candidatos a motorista fizeram as provas no domingo.
Acostumado a cavar valetas em obras da construção civil, o operário Celso Rodrigues Kenaip, 35 anos, não imaginava que fazer covas fosse tão difícil. ''É duríssimo, acaba com as mãos, machuca muito no cabo da ferramenta'', relatou o candidato a coveiro, após passar pelos testes no Cemitério Jardim da Saudade (zona norte). ''Mas o ambiente eu gosto, e aqui a clientela não reclama'', emendou. Brincadeiras à parte, a avaliadora da Acesf, Débora Zanutto, explica o porquê de tanta dificuldade. ''Eles tiveram que cavar terra virgem, que nunca foi mexida antes. É difícil mesmo, mas eles se sairam muito bem'', avaliou.
Confiança não faltou ao marceneiro Adriano Camilo Szcspanfki, 30 anos. ''Enquanto a gente não tem experiência, a mão fica calejada mesmo. Mas tudo é costume. E tem que ter estômago'', opinou. O entusiasmo é tanto que ele consegue destacar uma ligação entre o trabalho de coveiro e o curso de educação artística, que faz na Universidade Estadual de Londrina (UEL). ''Sou daquele tipo que aproveita toda experiência. A observação desse ambiente vai inspirar meu trabalho artístico'', antecipou. Dos quatro primeiros candidatos selecionados para a prova prática de ontem, um não compareceu.
Além de habilidade, a prova para preparador de cadáver está exigindo paciência dos candidatos. A cabeleireira Marlene Aparecida da Silva, 30 anos, esperou o dia inteiro na sede da Acesf a sua vez de prestar o teste. Neste caso, é preciso aguardar a chegada de novos cadáveres para preparação. O chá de cadeira não espantou o bom humor da candidata, que tem diploma de auxiliar de enfermagem mas nunca exerceu a profissão. ''Sempre gostei de ir a velórios. Minhas amigas dizem que onde tem uma bandeirinha roxa, lá estou eu!'', contou. Enquanto Marlene aguardava, um outro candidato preparava o corpo recém-chegado de um rapaz morto a tiros.
Todas as provas práticas estão sendo realizadas de segunda a sexta-feira, inicialmente pela manhã. Os testes para florista e coveiro devem terminar no próximo dia 12. Para preparador de cadáver, a previsão foi estendida até o dia 22 de setembro. O superintendente da Acesf, Wilson Battini, aguarda ansioso os novos funcionários. O último concurso do órgão foi feito há quase dez anos. ''Trabalhamos em esquema de plantão, 24 horas. É muito serviço para os poucos funcionários de que dispomos hoje'', afirmou.


