Lúcio Flávio Moura
De Londrina
Aliada dos candidatos menos preparados e mais impacientes, a fórmula de múltipla escolha adotada pela Fundação Carlos Chagas, reponsável pela elaboração das provas do vestibular da Universidade Estadual de Londrina (UEL), abriu brecha para os sortudos de plantão ou para os mais cautelosos, que preferem arriscar a aritmética para garantir uma pontuação melhor.
Ontem, no campus, logo após se esgotar o prazo mínimo para a entrega das provas, não era difícil encontrar vestibulando que encarasse com bom humor o desempenho incerto. ‘‘Na prova de biologia deu pra brincar um pouco, chutando por eliminação. A de química estava um horror. Marquei a alternativa C em todas as questões’’, disse Rafael Muniz Brancaglion, 17 anos, candidato a vaga de direito que veio de Itanhaém, município do litoral sul de São Paulo. ‘‘Esperava uma prova mais fácil e me dei mal’’, completou.
As londrinenses Andrezza Barrios, 19 anos, e Andrea Godoy, 22 anos, admitiam que não haviam se preparado adequadamente para o concurso e que também usaram o ‘‘chutômetro’’ como aliado no primeiro dia. As duas são postulantes a vaga em comunicação social – habilitação em relações públicas – mas, não nutrem muitas esperanças de êxito.
‘‘Vale pelo clima, não temos motivos para lamentar’’, consolava-se Andrea. ‘‘Vou me concentrar mais nas provas da área de humanas, que pesarão mais na minha classificação. Hoje fui muito mal. Em química, por exemplo, chutei tudo na opção B. Quem sabe garanto uns 20% de aproveitamento?’’, contou Andrezza.
Duas candidatas de São José dos Campos (SP), Fernanda Moratore da Gama e Néia Carvalho de Oliveira, ambas de 18 anos, demoraram mais dentro das salas, mas
em compensação saíram mais confiantes. Elas tentam vaga no curso de administração de empresas e gostaram do conteúdo escolhido para as provas. ‘‘Nós prestamos Fuvest (concurso unificado para algumas universidades paulistas, entre elas a USP) e podemos dizer que a prova daqui é muito melhor de ser resolvida. É menos confusa, te estressa menos’’, explicou Fernanda, que a exemplo de sua conterrânea, ficou satisfeita com seu desempenho. A paulista gostou tanto da cidade e do campus, que disse estar torcendo em dobro para ser aluna da UEL. Ela conheceu a universidade através do resultado do ‘‘Provão’’ do Ministério da Educação.

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