Curitiba
A denúncia de Ana Paula Felinto, reprovada no concurso dos Correios sob a alegação de que é obesa, trouxe à tona uma série de outros casos de candidatos barrados na fase de exames médicos por motivos considerados insólitos. Pé chato, peso abaixo do exigido e não obediência ao perfil físico adequado estão entre as razões alegadas pela empresa para reprovar candidatos a um emprego. Cinco deles procuraram esta semana o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Comunicações Postais (Sintcom-PR), que já levou o assunto ao Ministério Público.
Eloísa Carvalho, de 20 anos, foi aprovada na prova escrita e reprovada no exame médico por pesar menos de 50 quilos. Segundo ela, a explicação foi dada verbalmente pelo coordenador do ambulatório dos Correios, o médico Sérgio Martins, em agosto passado. ‘‘Ele não levou em consideração a minha altura’’, diz Eloísa, que mede 1,55 kg. ‘‘Se tivesse mais de 50 quilos, eu me tornaria gorda e provavelmente seria reprovada por esse motivo.’’
Outra moça, que prefere não ser identificada, diz que foi reprovada por ter pé chato: ‘‘O médico disse que eu poderia ter problemas de coluna e varizes’’. As duas prestaram concurso para atendente comercial - função de atendimento ao público, também pleiteada por Ana Paula Felinto.
‘‘São critérios subjetivos e discriminatórios’’, diz o presidente do Sintcom, Areovaldo Figueiredo. Na próxima terça-feira, ele se reúne com diretores regionais dos Correios para pedir a reavaliação dos casos denunciados. O sindicato também encaminhou à Procuradoria da República no Paraná pedido de providências para mudar os critérios de seleção.
O gerente de Recursos Humanos da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) no Paraná, Mário Vicente Ferreira Filho, disse que a segunda fase dos concursos feitos pela empresa avalia o ‘‘quadro geral’’ dos candidatos, nos aspectos físico e psicológico. Segundo ele, itens como altura e peso não são vistos isoladamente. ‘‘A intenção é não expor a saúde do candidato a possíveis males’’, afirmou.
Segundo Ferreira, em média 30% dos candidatos aprovados na prova escrita são eliminados na segunda fase. Ele garante que a empresa está sempre aberta a reavaliar casos de candidatos que se consideram injustiçados.
No caso da Ana Paula, a ECT convocou uma junta médica para quarta-feira, mas a candidata não compareceu. Ela alega que não tem condições psicológicas de se submeter a novos exames e que já ingressou na Justiça para readquirir o direito de ser admitida.

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