Candidatos a reitor disputam votos
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terça-feira, 11 de novembro de 1997
Elisa Marilia Carneiro 
Curitiba
A poucos dias da consulta para a reitoria da Universidade Federal do Paraná, o clima é de campanha corpo-a-corpo. Depois de amanhã, toda a comunidade universitária estará elegendo o próximo reitor. A comunidade pode ter confiança de que será respeitada a decisão da maioria, reforça o reitor José Henrique de Faria.
Ontem, no setor de Humanas, o assunto era um só: os resultados da pesquisa realizada pelo departamento de Estatística, que aponta vantagem para o candidato Carlos Antunes, que tem 27,07% das intenções de voto.
Em segundo lugar, de acordo com a pesquisa, está a chapa encabeçada pela atual vice-reitora, Maria Amélia Sabbag Zainko, com 21,22% dos votos. Em seguida vem a candidatura da professora Acácia Kuenzer e, por último, aparece Aldair Rizzi, apoiado pelo atual reitor.
A pesquisa pelo que se está discutindo não levou em conta o voto paritário e portanto pode estar com os resultados equivocados, justificou Faria. Na eleição paritária cada categoria (alunos, professores e funcionários) representa um terço dos votos. Assim, um voto de professor vale quase dez votos de alunos e três de técnicos administrativos. A metodologia devia ter levado isso em conta, disse o reitor.
Faria é a favor da retirada das demais candidaturas em favor do mais votado pela comunidade universitária, como foi proposto por alguns candidatos. Normalmente, é encaminhada ao Conselho Universitário uma lista com os três primeiros colocados. Se um nome é recusado pela comunidade, não vejo razão para continuar na disputa.
Para a estudante de Letras Flávia Bley, 20 anos, o candidato Aldair colou os cartazes no Centro Politécnico com cola de outdoor. Quero ver quem vai conseguir limpar, criticou. Ele não está preparado para assumir a reitoria.
Para Manoela Sade, 19 anos, que também cursa Letras, a professora Acácia está recebendo apoio do PT e não achamos correto que partidos políticos interfiram na universidade.
Entre os professores, as opiniões também se dividem. Os professores Luiz Carlos Ribeiro e Bristol Biscarra Neto acreditam que o candidato com maiores chances é Carlos Antunes. Cláudio Antônio Tonegutti, do departamento de Química, defende a candidatura da professora Acácia.
Todos estavam contra a professora Maria Amélia. Ela é a favor da privatização e está sendo apoiada pelo PFL, acusou Ribeiro, professor de História. O professor Carlos Antunes defende idéias de uma esquerda democrática, isto é, seus princípios básicos são para o ensino público, gratuito e de qualidade, argumentou Ribeiro.


