Curitiba
A poucos dias da consulta para a reitoria da Universidade Federal do Paraná, o clima é de campanha corpo-a-corpo. Depois de amanhã, toda a comunidade universitária estará elegendo o próximo reitor. ‘‘A comunidade pode ter confiança de que será respeitada a decisão da maioria’’, reforça o reitor José Henrique de Faria.
Ontem, no setor de Humanas, o assunto era um só: os resultados da pesquisa realizada pelo departamento de Estatística, que aponta vantagem para o candidato Carlos Antunes, que tem 27,07% das intenções de voto.
Em segundo lugar, de acordo com a pesquisa, está a chapa encabeçada pela atual vice-reitora, Maria Amélia Sabbag Zainko, com 21,22% dos votos. Em seguida vem a candidatura da professora Acácia Kuenzer e, por último, aparece Aldair Rizzi, apoiado pelo atual reitor.
‘‘A pesquisa pelo que se está discutindo não levou em conta o voto paritário e portanto pode estar com os resultados equivocados’’, justificou Faria. Na eleição paritária cada categoria (alunos, professores e funcionários) representa um terço dos votos. Assim, um voto de professor vale quase dez votos de alunos e três de técnicos administrativos. ‘‘A metodologia devia ter levado isso em conta’’, disse o reitor.
Faria é a favor da retirada das demais candidaturas em favor do mais votado pela comunidade universitária, como foi proposto por alguns candidatos. Normalmente, é encaminhada ao Conselho Universitário uma lista com os três primeiros colocados. ‘‘Se um nome é recusado pela comunidade, não vejo razão para continuar na disputa’’.
Para a estudante de Letras Flávia Bley, 20 anos, ‘‘o candidato Aldair colou os cartazes no Centro Politécnico com cola de outdoor. Quero ver quem vai conseguir limpar’’, criticou. ‘‘Ele não está preparado para assumir a reitoria’’.
Para Manoela Sade, 19 anos, que também cursa Letras, ‘‘a professora Acácia está recebendo apoio do PT e não achamos correto que partidos políticos interfiram na universidade’’.
Entre os professores, as opiniões também se dividem. Os professores Luiz Carlos Ribeiro e Bristol Biscarra Neto acreditam que o candidato com maiores chances é Carlos Antunes. Cláudio Antônio Tonegutti, do departamento de Química, defende a candidatura da professora Acácia.
Todos estavam contra a professora Maria Amélia. ‘‘Ela é a favor da privatização e está sendo apoiada pelo PFL’’, acusou Ribeiro, professor de História. ‘‘O professor Carlos Antunes defende idéias de uma esquerda democrática, isto é, seus princípios básicos são para o ensino público, gratuito e de qualidade’’, argumentou Ribeiro.

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