Em tempos de desgaste da imagem política e a poucas horas da votação em primeiro turno, marcada para amanhã, os candidatos à reitoria da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e seus vices demonstraram ontem, no debate promovido pela Rádio Universidade FM, que querem ser vistos mais como administradores do que como políticos. Em mais de duas horas, as cinco chapas responderam à imprensa e aos ouvintes e questionaram seus adversários sobre como pretendem dirigir a maior instituição estadual de ensino superior do Paraná pelos próximos quatro anos.
  Para começar, os candidatos responderam aos jornalistas da Rádio Universidade sobre quais seriam seus diferenciais e suas primeiras ações na reitoria.
  A chapa ‘‘UEL Autêntica’’, encabeçada pelos professores Marcos de Castro Falleiros e Antônio Brunetto, reitor e vice respectivamente, destacou a necessidade da realização de uma reforma administrativa na instituição para que a comunidade acadêmica se veja representada nos conselhos de Administração (CA), de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe) e Universitário (CU). Falleiros destacou que atacará a falta de pessoal. Em seguida, a única chapa declaradamente de situação, ‘‘Você Faz o Amanh㒒, o candidato a reitor Moacyr Medri e seu vice, Waldir Garcia, reafirmaram a necessidade de realizarconcurso público para todos os níveis e relembraram que a universidade se faz sobre o tripé ensino, pesquisa e extensão. A chapa ‘‘UEL Para Todos’’, do candidato Félix Ribeiro e vice José Roberto Hoffmann – que se mantêm como candidatos por força de liminar –, vai buscar parcerias e melhorar o relacionamento entre os diversos segmentos que compõem a universidade. Ribeiro disse que é preciso resgatar a auto-estima da UEL. O candidato Wilmar Sachetin Marçal, e seu vice, César Antônio Caggiano, da chapa ‘‘UEL Em Ação’’, afirmaram que a meta é fazer com que a UEL retome o trilho da academia, numa gestão apartidária; eles criticaram a carência de profissionais e apontaram a necessidade de melhoria da segurança no campus, tanto pessoal quanto predial. O candidato Cristiano Biazzo Simon, cujo vice na chapa ‘‘Todas as Vozes’’ é Dilson Ishikawa, lembrou que uma universidade se faz com reflexão e ação e destacou que sua gestão não se pautará por relações de simpatia ou ideologia. O candidato avaliou que é preciso melhorar as condições de trabalho e do patrimônio, através de uma gestão baseada no crescimento qualitativo.
  Na sequência, os candidatos responderam a questões feitas por jornalistas e por ouvintes sobre melhoria da segurança no campus, mecanismos de controle e fiscalização, sucateamento de laboratórios e falta de professores, ampliação das relações com a comunidade através de estágios e dos equipamentos já existentes. Depois, questionaram seus oponentes e comentaram as respostas.
  Aí surgiram as farpas. O candidato Marçal cutucou Medri sobre uso de cabos eleitorais ocupantes de cargos comissionados. Ele respondeu que o caso tinha sido informado, e resolvido, pela comissão eleitoral. Ribeiro perguntou a Falleiros se ele conhecia os boatos de que não haveria uma única chapa apoiada pela atual reitoria e que haveria um acordo velado de apoio. O candidato afirmou que ninguém era inimigo e o que existe entre as chapas é um viés de oposição. Falleiros interrogou Marçal sobre o sistema de controle de produtividade e metas de docentes, centros e departamentos. Ele argumentou que a UEL está mudando e que essa discussão tem de ser ampliada para toda instituição. Indagando Ribeiro, Simon quis saber como ele faria para estreitar a relação das licenciaturas com a rede de ensino fundamental e médio. Ribeiro disse que a UEL precisa se abrir para a sociedade e estimular o empreendedorismo dos alunos. Medri, por seu lado, interpelou Simon sobre o estímulo à extensão. O candidato destacou ações já existentes mas ressaltou que é preciso caminhar mais sem, no entanto, perder de vista o ensino e a pesquisa.
  O debate de ontem foi classificado pelas chapas concorrentes como o mais proveitoso realizado até agora. Como as pesquisas estão proibidas, todos se consideraram com chances de chegar a um eventual segundo-turno. Hoje acontece o último debate entre os candidatos, às 13 horas na Televisão Cidade.

mockup