Candidatos a mutuário pousam em fila
Lucinéia Parra
De Maringá
Cerca de 500 pessoas amanheceram ontem na fila em frente ao Parque de Exposições Francisco Feio Ribeiro, em Maringá, para fazer a inscrição da casa própria. A expectativa é que 8 mil pessoas façam as inscrições até o dia 18 deste mês, mas somente 250 casas populares têm recursos garantidos pela Caixa Econômica Federal (CEF). As unidades serão construídas em um terreno de 12 hectares doado pela prefeitura de Maringá, próximo ao bairro Ney Braga, na região norte da cidade.
A dona de casa Nilcéia da Silva, 22 anos, foi a primeira a chegar no local de inscrição. Ela ficou na fila desde às 7 horas de domingo. Casada e mãe de três filhos, Nilcéia disse que mora em uma casa emprestada pelo patrão do marido, que é ajudante geral e ganha salário de R$ 258,00 mensal.
A irmã de Nilcéia, a também dona de casa Elaine Cristina da Silva, 19 anos, era a segunda da fila. Ela paga R$ 70,00 de aluguel e disse que o sonho dela e do marido é conseguir a casa própria. As duas irmãs fizeram as refeições de domingo na fila. O almoço e jantar foram levados pelo marido de Elaine. Todo sacrifício vale a pena, principalmente se a gente conseguir ser aprovado no programa da casa própria, justificou Elaine.
Sacrifício também fez a dona de casa Regiane Corleta Borges, 32 anos, que chegou no local de inscrição às 23 horas de domingo com o filho de 2 anos. Ontem de manhã, Regiane se mantinha na fila com o filho, que estava dormindo. Ainda estou amamentando e não podia deixá-lo em casa, argumentou.
Esforço à parte, as pessoas que estavam na fila criticaram a direção da Cohapar pela falta de estrutura do local de inscrição. Eles sabiam que muita gente viria para fazer a inscrição e não abriram os portões do parque. Deixaram a gente no escuro durante a madrugada, não deixaram a gente usar os banheiros e não tinha sequer uma viatura policial. Ficamos a noite toda na fila sem qualquer segurança, desabafou Roseli Inácio de Faria, 30 anos.
De acordo com o gerente regional da Cohapar de Maringá, José Carlos dos Santos, não há necessidade dos moradores ficarem na fila durante a madrugada. Ele garantiu que depois do dia 18 as inscrições poderão ser feitas na Cohapar. Segundo Santos, as pessoas que estão se inscrevendo para o programa da casa própria ainda vão passar por uma triagem da Caixa Econômica Federal, que também vai definir qual o programa que será adotado para a construção das 250 unidades. Por enquanto, a única definição é que serão 131 casas, 100 apartamentos e 19 sobrados, antecipou.
Conforme Santos, a partir das inscrições, a Cohapar vai fazer um levantamento para saber qual é a verdadeira demanda de Maringá. O último cadastramento é de 1995 e precisamos atualizar não só a demanda atual, mas o perfil das famílias e quais os programas que melhor se encaixam para a construção das casas populares, explicou. Em Sarandi (7 km de Maringá), a Cohapar abre inscrição para casa própria dia 14.Programa de moradias populares construídas pela Cohapar e financiadas pela Caixa atraem 500 pessoas no primeiro dia de inscrição
Marcos NegriniCASA PRÓPRIAFila ontem de manhã em frente ao Parque de Exposições de Maringá: 250 casas já têm recursos garantidos





