Nem status, nem dinheiro. É a vontade de ser prefeito que está motivando a disputa pela presidência da Câmara de Vereadores de Londrina. Os dois candidatos tidos como certos para a eleição, marcada para o próximo dia 15, têm, em comum, a ânsia de chegar à prefeitura. ‘‘Nem que seja por um dia, como prefeito em exercício. Tenho 26 anos de Câmara e acredito que eu tenho esse direito’’, assume o candidato Renato Araújo (PPB). ‘‘Eu gostaria de ser prefeito, mas quero entrar pela porta da frente’’, contrapõe o concorrente de Araújo, Célio Guergoletto (PMDB).
Guergoletto, que já foi presidente da Câmara por duas vezes, acredita que, como líder do Legislativo pode dar um salto para seu projeto político: ter melhores condições para disputar a Prefeitura de Londrina no ano 2000. ‘‘Tentei em 96, não consegui e tenho pretensão de voltar à cena’’, adianta o vereador que, há dois anos, perdeu para José Tavares a chance de concorrer à prefeitura. Ele está em seu terceiro mandato e acredita que esse seja o último. ‘‘Quero mesmo a prefeitura’’, afirma.
Salto políticoO vereador Célio Guergoletto: ‘‘Eu gostaria de ser prefeito, mas quero entrar pela porta da frente’’Renato Araújo, que presidiu o Legislativo em única oportunidade, acredita ser a ‘‘bola da vez’’ para substituir o prefeito Antonio Belinati (sem partido) quando ele se ausentar do município. A partir do ano que vem, o presidente eleito da Câmara terá de assumir toda vez que Belinati viajar ou afastar-se do cargo. Com a ida de Alex Canziani (PTB) para Brasília - ele foi eleito deputado federal - o município ficará sem vice. ‘‘Estou em fim de carreira, e nada mais gratificante do que ser prefeito, pelo menos por um dia’’, reforça Araújo.
Os candidatos afirmam que dinheiro não chega a ser um atrativo na disputa. Mas quem for eleito passa a receber além do salário normal, de R$ 4,5 mil (bruto), uma verba de representação de R$ 2 mil. Também ganha o direito de utilizar um carro e de representar o Legislativo em solenidades, além de mídia. ‘‘A grana é o que menos interessa porque a verba de representação vem com o desconto do Imposto de Renda e acaba sendo consumida na compra de roupas’’, afirma Guergoletto. ‘‘Realmente não dá para andar de camiseta. O cargo obriga o presidente a estar sempre bem vestido’’, emenda Araújo.
O regimento da Câmara exige 11 votos para que um vereador seja eleito presidente. Os dois candidatos estão costurando o apoio dos 19 colegas há mais de um mês. Também há envolvimento de outras lideranças fora da Câmara. Ontem, por exemplo, o presidente estadual do PPB, deputado José Janene, circulava pelos corredores do Legislativo. Ele não considera uma ingerência sua participação no processo. ‘‘É preciso garantir que o presidente eleito tenha um bom relacionamento com o prefeito, senão atrapalha a administração’’.‘Bola da vez’O vereador Renato Araújo: ‘‘Nem que seja por um dia, como prefeito em exercício. Tenho esse direito’’Patrícia Zanin

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