Candidato vende balas em semáforo
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terça-feira, 13 de janeiro de 2004
Célia Guerra<br>Reportagem Local 
''Vai uma balinha hoje, freguês?'' Diante da recusa ele se dirige a outro veículo dos vários que estão parados no sinaleiro da Rua João Cândido, bem em frente à Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), no centro de Londrina. Há três anos essa é a rotina de trabalho semanal do ambulante Rodrigo Paula dos Santos, 23 anos, que ganha a vida vendendo diversos tipos de gomas de mascar e balas.
A história seria mais uma no grande número de pessoas que, sem emprego, encontram opções alternativas de sobrevivência. Rodrigo, entretanto, é um dos mais de 30 mil jovens que disputam uma das vagas da Universidade Estadual de Londrina (UEL). ''Quero cursar Geografia para entender ao menos parte da sociedade burocrática que compõe o nosso País e nos exclui de alguns direitos de cidadãos'', explica.
A féria diária média de R$ 55,00, ele divide entre a compra de mais produtos e no sustento da casa, onde as despesas são divididas entre a mãe, costureira, e uma tia que faz a faxina de um salão de beleza.
Natural de Niterói (RJ), Rodrigo mora em Londrina desde 2000. Por quase um ano ele procurou uma vaga no mercado formal de trabalho. Como não conseguiu, optou por seguir o caminho do pai, que também vende doces na esquina de cima, na Avenida Juscelino Kubitscheck. Apesar de estar longe da escola há mais de dois anos, ele está confiante na aprovação. ''Na prova de ontem (domingo), tive alguns problemas de cálculo em química e matemática, mas a média de acerto está boa'', acredita.
Rodrigo diz que, em 2001, fez cursinho por sete meses mas teve que abandonar, pois além de não ter dinheiro para o ônibus, teve que ajudar no sustento da família. A mãe se separou do pai e o avó que mora com eles sofre do Mal Alzheimer. ''Tenho que trabalhar para pagar dívidas. Elas aumentam mais que cria de coelho'', ilustra.
Consciente da ilegalidade da profissão, Rodrigo diz que está tentando junto à CMTU, com o auxílio de dois vereadores, regularizar o serviço. ''Como qualquer comerciante, quero pagar impostos e garantir o meu ponto de venda'', justifica.
O vendedor ambulante e vestibulando revela que sua área de interesse na verdade é Turismo mas, como o curso na cidade só é oferecido por universidades particulares, optou por Geografia. ''Além de poder entender as diferenças sociais, Geografia para mim é o embrião para o Turismo'', conceitua. A esperança de uma vida melhor a partir da universidade, não é só de Rodrigo, porém. Sua mãe, Sandra Pereira de Paula, 43 anos, também tenta uma vaga no curso de administração.


