Para o professor Luiz Agnelo Pitta, apesar de todo o desgaste que a procura por emprego provoca, é fundamental que o candidato não perca o ânimo. ''A pessoa que está há um, dois anos sem trabalho tende a ficar negativa, sem confiança. Eu digo para os outros desempregados: reaja, volte a estudar, busque informação'', aconselha.
Ele ressalta que não quer exigir que o mercado de trabalho absorva mão-de-obra sem qualificação. Por isso, pede desde já o apoio de empresários, instituições de ensino e dos próprios sindicatos de trabalhadores para montar classes de qualificação profissional. ''Até para quem está trabalhando a atualização é importante. O trabalhador rende mais e fica mais seguro em seu emprego.''
Pitta também lembra que é importante identificar por que o cidadão não consegue emprego. Nem sempre é por incapacidade ou preconceito. ''Às vezes, o mercado está saturado para aquela determinada função, ou o trabalhador não está fazendo o que gosta. Quando ele não pára num emprego, fica pulando de galho em galho, é difícil identificar qual é o propósito dele'', assinala.
O apoio da família é outro ponto fundamental para que o desempregado não perca a auto-estima, completa o professor. Isso ele tem de sobra. Além de segurar as pontas financeiramente, a esposa Telma, 47 anos, professora concursada, tem lhe dado suporte emocional nesses dois anos de busca por emprego. ''Ele é uma pessoa extremamente capaz e eu sei que a situação que está passando não é culpa dele. Eu confio demais no meu marido'', assegura.
O idealizador da Associação de Apoio aos Desempregados Discriminados do Paraná ressalta ainda que as empresas que dão emprego e não discriminam são mais simpáticas aos olhos dos consumidores. Ele está pesquisando quais firmas se encaixam nesse perfil.
''A associação irá divulgar esses dados e pedir à população que compre dessas empresas, que acabam trazendo benefícios coletivos como a diminuição da violência. Se o concorrente perder uma fatia do mercado, terá que correr atrás e fornecer mais empregos também'', conclui. Pitta acredita que se cada grande empresa fornecer pelo menos três vagas à associação especialmente a pessoas mais velhas a solução para o preconceito estará num bom caminho.(V.N.)

mockup