Candidata pretende recorrer à Justiça contra as cotas
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sexta-feira, 04 de março de 2005
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
O resultado do primeiro vestibular pelo sistema de cotas da Universidade Estadual de Londrina (UEL) já está gerando as primeiras reações. Uma das candidatas reprovadas por causa da reserva de vagas para afrodescendentes e egressos de escolas públicas vai entrar com liminar para garantir o direito à matrícula no curso de História. Ana Isabel Galeano, que atualmente mora em Foz do Iguaçu, ficou em 38º lugar, e como foram ofertadas 40 vagas, seu nome teria entrado na lista de aprovados caso o sistema não tivesse sido adotado.
''Acho esta política de reserva extremamente preconceituosa. Não resolve o problema da educação no País, muito pelo contrário, compromete a qualidade do ensino.'' Para Ana Isabel, caminhos mais acertados seriam a oferta de número maior de vagas e o fortalecimento do ensino básico nas escolas públicas. ''No momento em que se dá preferência para um, se tira a oportunidade de outro. E quando os negros e aqueles que vêm do ensino público aceitam isso, estão afirmando que são inferiores. Eu estudei em escola pública desde a 5 série e não aderi às cotas'', completa.
O assunto é polêmico e as opiniões continuam divididas. Luciano Donizete de Freitas, que optou pelas cotas mas conseguiu pontuação suficiente também para entrar no curso de Direito pelo sistema universal, se diz a favor da nova política. ''Nem todo mundo tem as mesmas condições e oportunidades'', opina.
Davi Santiago também optou pelas cotas mas diz ser contra o sistema. ''Eu venho de escola pública, estudei sozinho para este vestibular, mesmo assim obtive pontuação para entrar pelo sistema universal. Isso mostra que não é preciso ter a diferenciação'', argumenta.
Já no caso de Hugo Leonardo Alves, as cotas o ajudaram a entrar em Direito. Este foi o quarto vestibular que prestou. Apesar do sonho realizado, ele faz uma ressalva: ''Acho que nem precisava de cotas para negros, bastaria que tivesse vagas para os que vêm de escolas públicas.'' Hugo confessou que temia ser discriminado, mas ontem, ao aguardar na fila para realizar a matrícula, se disse mais tranquilo. ''Pelo que senti até agora, isto não vai acontecer.''
Dos 3.010 aprovados no vestibular da UEL, 1.011 são cotistas. Dos 35,5 mil inscritos, cerca de 14 mil optaram pelo novo sistema. Jairo Queiroz Pacheco, pró-reitor de graduação, lembra que, em alguns casos, a concorrência dentro das cotas superou a concorrência universal. ''156 candidatos se inscreveram pelo sistema de cotas mas entraram pelo sistema universal, pois tiveram pontuação menor que a do último convocado pelas cotas, porém maior que a do último dos aprovados pelo sistema universal.''
A assessoria jurídica da UEL informou ontem que não havia recebido nenhuma notificação sobre liminar na justiça para garantir matrícula, e que por isso não se manifestaria sobre o assunto.


