A enfermeira Aline Gaudiano deu à luz a Ana Clara em novembro de 2008. A menina nasceu prematura e não resistiu a uma infecção neonatal. ''Foi um divisor de águas. Não há como expressar a dor de perder um filho, mesmo que recém-nascido. Eu sonhei com ela, eu esperava vê-la crescer. Mas não levei minha filha para casa, levei para o cemitério. Eu não vi minha filha deitada em seu bercinho, eu a vi deitada no caixãozinho.''
Um dia antes do falecimento da menina, Aline iria se casar no religioso. O casamento não ocorreu mais. A dor tomou tal espaço que o relacionamento com o pai da criança se tornou impossível. ''Acredito que aos poucos a dor deva amenizar, mas não é possível esquecer quem amei tanto. Nunca esquecerei a gestação, o parto, os dias que se seguiram. Essa história criou uma resistência em mim. Não quis continuar o casamento e há dois anos não consigo me relacionar com ninguém'', explica.
As marcas deixadas por essa história passam pelas roupinhas que ainda não foram descartadas e as canções que Aline cantava ao bebê, ainda em seu ventre. ''Quando estava grávida, cantava para minha filha uma música que diz 'você é linda demais, perfeita aos olhos de Deus Pai', e foi a única coisa que consegui fazer quando vi que tudo estava acabado. Eu cantei para ela, como antes, mesmo ela não estando mais dentro de mim, mas no túmulo.'' (B.M.)

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