Câncer raro em bebês: Londrina inicia pesquisa
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sábado, 18 de agosto de 2007
Guilherme Borges<br>Reportagem Local 
Cerca de 200 amostras de sangue para realização do teste de DNA, que busca identificar a predisposição genética para desenvolvimento de um câncer raro, já foram coletadas na Maternidade Municipal Lucília Balalai, em Londrina. Os testes serão realizados nas próximas semanas em Curitiba e integram uma pesquisa realizada pelo Instituto Pelé Pequeno Príncipe e Centro de Genética Molecular e Pesquisa de Câncer em Crianças, com apoio do Governo Estadual e da Universidade Federal do Paraná.
As coletas começaram no início de agosto e, segundo a enfermeira da maternidade, Jacqueline Crude - que participou do treinamento para coleta do material -, todas as mães têm aceitado a coleta de sangue. ''Elas respondem a um questionário e assinam um termo, e nós coletamos o material. Depois enviamos à Curitiba, onde será feito o exame. Se der positivo, não quer dizer que a criança terá o câncer, mas que ela tem predisposição genética. Automaticamente ela passará a receber tratamento gratuito especializado.''
O tumor pesquisado atinge as glândulas adrenais que ficam em cima dos rins, alterando a produção de hormônios, o que pode provocar o aparecimento precoce de características da adolescência, como pêlos na genitália, acne e alteração da voz. ''Esse câncer é raro, mas mesmo assim precisa ser identificado cedo, pois assim terá grande chance de cura.''
Em casos de predisposição positiva, Jacqueline explica que a própria equipe de médicos-pesquisadores de Curitiba entrará em contato com as mães. ''Por isso, é muito importante que todas apresentem um endereço fácil. Muitas vezes, precisamos entrar em contato com alguma mãe e não conseguimos encontrá-la no endereço que ela nos passou.''
A enfermeira conta que já teve dificuldade em encontrar uma mãe para passar o resultado do teste do pezinho de uma criança. ''O exame apresentou alterações e nós até hoje não conseguimos dizer isto para a mãe. Fizemos uma busca, a equipe da unidade básica de saúde auxiliou, mas ninguém conseguiu contato com ela. Por isso, é importante que sejam passados dados reais e se ela for mudar de endereço, dê um contato alternativo para que possa ser encontrada.''
Maringá - No Hospital e Maternidade Maringá, os exames começam a ser realizados nesta segunda-feira (dia 20). De acordo com a gerente de Enfermagem, Dirléia Florentino dos Santos, a instituição já recebeu o material para coleta e também para divulgação do exame. ''Agora começa a etapa de coleta dos materiais. Até então estávamos trabalhando no treinamento de funcionários e divulgação do teste.''
Além de Londrina e Maringá, a pesquisa está sendo realizada em outros 52 municípios do Norte do Estado, além de outras regiões paranaenses. De acordo com o encarte utilizado para divulgação do teste, e que é distribuído às mães, o Paraná apresenta uma incidência da doença de 12 a 18 vezes maior do que outras regiões do país.


