Câncer em animais de estimação
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terça-feira, 13 de setembro de 2011
Érika Gonçalves <br> Reportagem Local 
Com a melhoria das condições de vida, os animais, assim como os homens, também passaram a viver mais. E com essa longevidade começaram a surgir com mais frequência doenças antes não tão comuns relacionadas aos pets. Uma delas é o câncer. Assim como nos humanos, a doença pode atingir todos os órgãos, mas já existem tratamentos com grandes chances de cura. Quando isso não é possível, também pode-se ter uma sobrevida com qualidade e sem sofrimento.
De acordo com o veterinário Kleber Moreno, de Londrina, os tipos mais comuns de câncer são os tumores de mama, tanto em cadelas como em gatas, e os tumores de pele. As raças que são mais afetadas pelo câncer de pele são aqueles com poucos pelos ou pelos claros. Para prevenção, os animais devem evitar ficar expostos ao sol no horário de pico, das 10 hs às 16 hs.
''Na parte de mama um fator importante é a exposição hormonal de animais não castrados, além da aplicação de contraceptivos de forma equivocada. A prevenção seria a castração precoce, antes do primeiro cio, com exceção de cadelas de raças gigantes - dog alemão, mastife, em que é indicado fazer entre o primeiro e o segundo cio na fêmea e o no macho por volta de um ano de idade'', explica.
O profissinal alerta que os machos têm também uma ocorrência importante de tumores de próstata, principalmente nos adultos para idosos. ''Pode haver dificuldade para defecar, urinar, sangramento na urina e o veterinário pode demorar a perceber que é um câncer de próstata'', enumera Moreno.
Para os outros tumores de forma geral não há maior predisposição para macho ou para fêmea. O veterinário alerta que a precocidade em se descobrir a doença favorece o tratamento e possibilita melhor qualidade de vida.
A idade do animal pode predispô-lo a alguns tipos de câncer, principalmente aqueles considerados geriatras, porém eles levam vantagem porque seu sistema imunológico está mais preparado do que de animais jovens, segundo o veterinário.
Perceber que algo não vai bem nem sempre é tão simples, já que dependendo do caso há sinais clínicos diferentes, além dos tumores chamados de silenciosos. Mas alguns animais podem apresentar vômitos, diarreia e podem começar a emagrecer mesmo comendo o habitual. ''O proprietário não pode ficar achando que vômito ou sangramento é câncer, mas pode ser, tem que fazer uma avaliação'', pondera Moreno.
Prevenção
Alguns tipos de tumor podem ser prevenidos, de acordo com Moreno. Um deles é o Tumor Venéreo Transmissível (TVT), que pode ser evitado com a castração e não deixando o animal ir para a rua. ''É tratável com quimioterapia, mas muito maligno se demorar para começar o tratamento'', alerta o veterinário.
A higienização adequada na boca do animal, pelo menos uma vez ao dia, pode prevenir o câncer de boca, que é um dos mais agressivos, segundo ele. ''Isso pode demorar a ser percebido porque o primeiro sinal é a halitose, comum nos cães. Alimentação balanceada e não dar para o animal alimentos que ficam à venda expostos em sacos abertos também ajuda, porque pode haver formação de fungos e a toxina pode predispor a tumores. O animal que é fumante passivo também pode ter problemas de tumores nos pulmões e trato digestivo'', destaca.
Assim como nos humanos, os animais dispõem de uma gama de opções de tratamento. Pode ser feita cirurgia, quimioterapia, radioterapia e também a crioterapia, que é o congelamento do tumor para extração. ''Cada caso tem uma indicação e os tratamentos podem ser combinados'', explica.
O mais importante, segundo o veterinário, é o proprietário ter ciência de que os efeitos colaterais da quimioterapia em animais são mínimos, quando não inexistentes, ao contrário dos humanos. A precocidade com que o tratamento tem início também vai fazer toda a diferença. ''Praticamente todo tumor maligno vai ser fatal se não for tratado ou se demorar muito para iniciar o tratamento.''


