Curitiba - Um total de 30% dos tipos de câncer que atacam o corpo do homem acorrem no trato urinário, ou seja, na próstata, bexiga, rins e testículos. Diferente das mulheres, que vêm incorporando cada dia mais a rotina de exames preventivos, poucos homens preocupam-se em fazer consultas anuais ao urologista.
As estatísticas provam esse descaso. Anualmente, 7 mil homens morrem de câncer de próstata no Brasil, sendo a segunda causa de óbitos por neoplasia maligna no Paraná, ficando atrás apenas dos casos de câncer no pulmão. Em incidência, o câncer de próstata está em segundo lugar. O primeiro são os casos de câncer de pele.
O problema é que os casos da doença vêm crescendo. ''As pessoas estão ficando cada vez mais idosas e com isso os casos de câncer de próstata estão aumentando'', alerta o professor Manfred Wirth, chefe do setor de Uro-oncologia da Sociedade Alemã de Urologia. Esta realidade, segundo ele, é comum em todo mundo. Nos Estados Unidos são registrados 150 mil novos casos de câncer de próstata anualmente, quase o dobro dos cânceres de pulmão, que aparecem em segundo lugar com 80 mil novos casos anualmente.
A grande incidência dessas neoplasias, no entanto, preocupam os profissionais da área de urologia. Cerca de 600 profissionais, sendo 100 europeus, participaram do 3º Simpósio de Internacional de Uro-oncologia, que terminou sábado em Curitiba. Eles ouviram dezenas de palestras de profissionais brasileiros, alemães e americanos com novas informações sobre cirurgias e tipos de tratamento destes tipos e câncer.
''Nós atendemos muitos casos de câncer'', explica o urologista Marcelo L. Bendhack, coordenador do seminário. De acordo com ele, muitas mortes e tratamentos mais rigorosos poderiam ser evitados com a detecção precoce dos tumores.
Wirth alerta sobre o maior risco de desenvolver algum tipo de câncer em pessoas que têm casos da doença na família. ''Se uma mulher teve câncer de mama, seus filhos devem ficar mais atentos para a possibilidade de ter câncer de próstata'', diz.
O tratamento das doenças, em geral, é cirúrgico. No caso do câncer de próstata e testículo, o mais comum é a retirada dos órgãos. No rim, tumores de no máximo quatro centímetros podem ser retirados, caso contrário é feita a remoção completa do órgão. A bexiga, por sua vez, é retirada e refeita com tecido do intestino do próprio paciente.

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