A regional do Paraná da Sociedade Brasileira de Dermatologia está distribuindo um folheto para a população, mostrando como prevenir-se do câncer de pele. A preocupação tem fundamento nesta época do ano: os longos banhos de sol, principalmente em horários impróprios, são os grandes causadores de lesões na pele que podem evoluir para um câncer.
Além disso, a incidência de câncer de pele cresce a cada ano, sendo hoje o tipo mais comum no País. Segundo o médico dermatologista e professor da Universidade Estadual de Londrina, Rubens Pontello, no Brasil de 60% a 70% dos cânceres são de pele.
O material preparado pela Sociedade Brasileira de Dermatologia, da qual Rubens Pontello faz parte, traz informações sobre a doença, recomendações de como evitá-la e mostra como fazer o auto-exame em todo o corpo para identificar lesões na pele. O folheto também traz uma notícia animadora para quem está num processo inicial de desenvolvimento da doença: 90% dos casos de câncer de pele são curáveis, desde que tratados precocemente. Por isso, observa o dermatologista, é muito importante que as pessoas façam o auto-exame para identificar possíveis manifestações da doença (veja quadro nesta página).
O médico esclarece que o câncer de pele é uma doença que se inicia pelo crescimento desordenado de células do tecido cutâneo. Ela é mais frequente em pessoas de pele clara, olhos claros, que se queimam com facilidade e não se bronzeiam ou se bronzeiam com dificuldade. É comum também nos países localizados perto da linha do Equador.
É uma lesão acumulativa, explica Rubens Pontello. Conforme a pessoa vai se expondo mais ao sol, os raios ultra-violeta vão causando lesões benignas que evoluem, precipitando o surgimento de uma lesão maligna.
O dermatologista comenta que, devido a essa característica, a doença costuma se manifestar na terceira idade. Mas ele adverte que nem mesmo os jovens estão livres: ‘‘Já tratei um menino de 14 anos com câncer de pele’’.
As lesões, segundo o médico, surgem na maioria das vezes em regiões de pele descobertas expostas ao sol (face, braços e pernas).
‘‘Isso não quer dizer que as pessoas precisam viver no subsolo ou sair de casa só à noite’’, ressalta Rubens Pontello. ‘‘Não é preciso radicalizar, mas tomar consciência sobre o horário adequado ao banho de sol e a quantidade de radiação.’’
O médico explica que o bronzeamento é a resposta do organismo a um tipo de agressão. ‘‘O organismo está se defendendo dos raios ultra-violetas.’’
Segundo ele, o raio ultra-violeta estimula as células chamadas melanócitos a produzirem melanina - substância que dá cor à pele.
Rubens Pontello alerta para que as pessoas evitem exposições prolongadas ao sol, principalmente entre 10 e 15 horas. O filtro solar, avisa, deve ter fator de proteção igual ou superior a 15.
Na opinião do médico, não existem recursos para driblar o sol. ‘‘Não adiante usar camisetas claras e molhadas para tentar proteger a pele. E os raios de sol atravessam as nuvens, por isso a proteção deve ser tomada até mesmo em dias nublados.’’
O bronzeamento artificial, feito com lâmpadas que emitem raios ultra-violeta, também é condenado pelo dermatologista. ‘‘É uma agressão à pele’’, avalia.
O câncer não é o único mal que o sol causa à pele: em excesso, pode provocar o envelhecimento precoce e manchas.
Citando o professor Sebastião Sampaio, da Universidade de São Paulo (USP), Rubens Pontello resume: ‘‘O sol está para a pele assim como o fumo está para o pulmão, o álcool para o fígado e a gordura para o coração’’.

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