A divulgação de que a atriz americana Angelina Jolie fez uma cirurgia de mastectomia como forma de prevenir um possível câncer de mama gerou dúvidas entre as mulheres. Conforme o noticiário, ela decidiu se submeter ao procedimento após realização de um exame genético que detectou 87% de chances de desenvolver a doença que matou a mãe da atriz aos 56 anos. Mas, afinal, a mastectomia é realmente necessária à prevenção do câncer de mama?
Para a realização de uma cirurgia de mastectomia bilateral preventiva (como a realizada em Angelina Jolie) é preciso ter muita cautela, conforme explica a radiologista Maria Angélica Bernardes Moura, da clínica MP Diagnósticos, de Londrina. O procedimento, avalia a médica, envolve riscos e, por isso, deve ter indicação muito específica, após análise criteriosa do médico especialista.
De acordo com o Ministério da Saúde, os exames preventivos indicados para serem realizados anualmente pelas mulheres são eficazes para detectar a doença em sua fase inicial e, assim, garantir altos índices de cura. O radiologista Décio Prando Moura, também da MP Diagnósticos, explica que a realização anual do exame de mamografia em mulheres a partir de 35 anos, de acordo com indicação médica, é uma forma bastante eficiente de diagnosticar lesões mamárias em estágios iniciais.
Para garantir maior segurança ao exame, ele destaca a utilização de um equipamento totalmente digital e de alta resolução, que transmite a imagem diretamente ao computador, ao contrário do sistema CR (Radiografia Computadorizada), no qual a imagem é transformada em digital após a aquisição desta por um mamógrafo convencional.
"A imagem é adquirida, analisada e manipulada no computador, ao contrário dos mamógrafos convencionais, que necessitam imprimir o filme para posterior avaliação do especialista", explica, acrescentando que, como as imagens são mais precisas, é possível identificar lesões muito pequenas de maneira mais eficiente, ainda não palpáveis através do auto-exame ou do exame clínico, como , microcalcificações.
O médico explica que outros exames de rotina – normalmente indicados pelos ginecologistas - são importantes para detecção precoce de cânceres e outras doenças. O ultrassom vaginal permite investigar possíveis alterações no útero, nas trompas e nos ovários, facilitando a detecção de cânceres nos órgãos reprodutivos e também patologias como ovários policísticos, miomas e endometriose.
Já o ultrassom de abdômen é normalmente utilizado no processo inicial de investigação de possíveis doenças, pois "permite observar anomalias nos órgãos do abdômen", orienta.
Além dos exames de imagem, faz parte da rotina preventiva de doenças nas mulheres o exame de citologia oncótica, também conhecido como papanicolau, que consiste no exame das células coletadas do colo do útero para detectar o câncer dessa região em estágio inicial ou anormalidades nas células que podem estar associadas ao desenvolvimento deste tipo de tumor, além de infecções viróticas no colo do útero, tais como verrugas genitais causadas pelo HPV (papilomavírus humano) e herpes ou infecções vaginais causadas por fungos e bactérias. O hemograma – que avalia o sistema de defesa do sangue – completa o check-up anual.
O exame de densitometria, que serve para medir a densidade dos ossos e diagnosticar osteoporose e avaliar o risco de fraturas é outro procedimento indicado, principalmente para mulheres acima de 65 e homens acima de 70 anos. Moura explica que a osteoporose é uma doença comum em pessoas idosas e outras mais jovens em determinadas condições em que os ossos se tornam mais frágeis e propensos a fraturas, principalmente a coluna dorsal e lombar, o colo do fêmur e antebraço distal (punho).

Fatores de risco
O câncer de mama é o câncer mais incidente na população feminina mundial. Relativamente raro antes dos 35 anos, acima desta faixa etária sua incidência cresce rápida e progressivamente. Contudo, outros fatores de risco já foram estabelecidos, como os relacionados com a vida reprodutiva da mulher (menarca precoce, nuliparidade, primeira gestação após os 30 anos, menopausa tardia, terapias hormonais pós-menopausa), história familiar de câncer de mama, obesidade, sedentarismo, ingestão regular de bebida alcoólica.
A prática de atividade física, alimentação saudável e o aleitamento materno exclusivo são considerados fatores protetores. Até o momento, a mamografia é recomendada como método para detecção precoce de lesões mamárias, com início aos 35 anos, dependendo da indicação médica.

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