CÂNCER DE MAMA - Diálogo sobre tratamento facilita recuperação
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sexta-feira, 23 de outubro de 2015
Reportagem Local 
Rio - A rotina frequente de exercícios físicos, acompanhada por uma alimentação saudável da policial militar Joyce Avelar, de 34 anos, foi interrompida com uma notícia séria. Ela recebeu o diagnóstico de câncer de mama, após iniciar a investigação de caroço percebido no autoexame. Sem histórico familiar da doença, ela conta ter sido surpreendida com o resultado dos exames: "É chocante. Você fica assustada por isso acontecer com você. Na mulher isso tem um impacto muito grande, na estética, na aparência, pois queremos ficar sempre bonitas".
O diagnóstico foi dado pelo mastologista Eduardo Bruno Giordano, do Hospital Federal dos Servidores (HFSE), situado no Rio de Janeiro. O médico explica que nesta primeira abordagem a paciente precisa de uma comunicação clara e adequada ao seu perfil e enfatiza a importância do diálogo sobre o tratamento. Eduardo Bruno revela que a maioria das mulheres tem recuperação física e psicológica, além de obterem uma sobrevida superior a 95% quando identificam o câncer precocemente e fazem o tratamento completo.
O passo seguinte do tratamento de Joyce foi a cirurgia para retirada do tumor. Horas antes do procedimento, ela aguardava de mãos dadas com o marido, Alexandre Braga, e acompanhada pelo pai, na enfermaria da Ginecologia do HFSE. Seu olhar carregava um misto de expectativa e esperança para superar esta etapa do tratamento. No mesmo dia ela também realizou a primeira fase da reconstrução mamária.
A mastectomia - retirada total ou parcial das glândulas mamárias e do complexo aréolo papilar (mamilo e aréola) desperta muitas dúvidas entre as mulheres, segundo o especialista. "Há mitos sobre o tratamento. A paciente chega com dúvidas e expectativas ruins sobre a cicatriz e sobre a recuperação. Dependendo do caso, a retirada da mama pode ser total, mas também há situações em que retiramos apenas um segmento, a chamada ressecção segmentar", explica Eduardo. A cirurgia é uma forma de controlar a doença e é complementada com radioterapia e quimioterapia, quando necessário.
Ao longo do tratamento Joyce está recebendo o apoio do marido Alexandre, que reforça a importância de cumprir cada etapa. Ele lembra que uma das preocupações dela foi com a aparência. Em solidariedade, o companheiro raspou a cabeça para estimular a esposa a lidar com a estética ao longo das terapias. "A maior dificuldade é lidar com a vaidade. Eu falo que é passageiro, que o mais importante é tratar e vencer a doença e ter vida longa. Tratar, cuidar e vencer, pois o cabelo vai voltar a crescer."
"Às vezes as pacientes deixam de fazer o tratamento adequado por causa da estética." A revelação do mastologista do HFSE expõe o risco que muitas mulheres correm ao supervalorizar a aparência física, em detrimento da saúde. Uma das formas de auxiliar na recuperação da paciente é a reconstrução mamária, garantida no Sistema Único de Saúde (SUS). Esta cirurgia plástica reparadora é obrigatória para mulheres que passaram por mutilações decorrentes do tratamento de câncer. Quando a paciente tiver condições físicas, deve ser operada no ato da retirada do tumor, no segundo tempo cirúrgico. Se ela não dispuser de condições para realizar a reconstrução no mesmo dia, pode fazê-la depois, quando tiver em condições.
PREVENÇÃO
O Brasil tem hoje cerca de 50 mil casos de câncer de mama, de acordo com o oncologista do Hospital Federal da Lagoa (HFL) e integrante da Sociedade Brasileira de Mastologia, Rafael Machado. "Cerca de 74% das pessoas sobrevivem após o tratamento. Por isso, é fundamental o exame preventivo. A partir dos 40 anos, toda mulher deveria fazer uma mamografia por ano", ressaltou.


