Londrina - Filho de criador de canários, Newton Felício só foi se dedicar aos coloridos pássaros depois dos 30 anos. "Encontrei um canário andando na rua, levei para casa. Depois que ele morreu resolvi comprar um casalzinho. Isso foi há 12 anos", conta Felício, um dos organizadores da 36ª Exposição de Canários de Cor e Porte. Promovida pela Sociedade Ornitológica de Londrina, a Expo SOL é, de acordo com o próprio Felício, o terceiro evento mais antigo de Londrina. "Fica atrás da ExpoLondrina e do Filo", lista.
Aberta na sexta (12), a exposição vai até domingo, dia 21, no átrio do Boulevard Londrina Shopping e tem entrada franca. Durante os dois primeiros dias, os expositores participaram de uma seletiva para o Campeonato Brasileiro, que acontece em julho em Itatiba (SP). Em média, são cerca de 300 pássaros londrinenses marcando presença na etapa nacional, que chega a reunir mais de 30 mil canários de todos os cantos do País. "Somos mais fortes com os animais de porte (plumagem e tamanho diferenciados) do que com os de cor", explica Felício.
Para quem tem uma imagem clássica do canário amarelo, a Expo SOL surpreende pela variedade de plumagens e cores. São 850 pássaros, a maioria à venda por preços que vão de R$ 70 a R$ 1 mil. "Os canários que vão para o Campeonato Brasileiro podem custar até R$ 6 mil e, mesmo assim, muitos criadores não vendem", diz Felício.
"Pagamos a faculdade de Medicina da nossa filha com os canários", conta Nadir Rigoni. Ela e o marido Luiz Carlos montaram um canaril cerca de 20 anos atrás. "É uma história bem familiar mesmo. Nosso filho ganhou um canário de presente. Daí resolvemos arrumar uma fêmea e aí tiveram filhotes. Compramos outro casal e assim começou", lembra Nadir, que é conhecida pelos outros criadores pelos ninhos que faz artesanalmente em crochê.
Um casal de canários gera em média, segundo Felício, despesa de R$ 10 por mês com manutenção. "E vive entre quatro a cinco anos. Mas eu tenho alguns que estão com quase 10 anos", aponta. "Os cuidados são os mesmos que temos com a gente, não tomar vento, nem ficar muito no sol, tomar água de boa qualidade e comida saudável", ensina o criador.
Junho e julho são os meses especiais para os canários do hemisfério sul. "É quando eles passam a disputar as fêmeas", explica Felício. Depois do acasalamento, vem a época da criação, que vai de agosto a janeiro. "Entre fevereiro e junho eles trocam as penas", completa. Felício lembra ainda que a história dos canários no Brasil tem mais de 500 anos: "os chamados canários do reino vieram com as naus dos portugueses".

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