Ney de SouzaEspéciesPesquisadores da Itaipu iniciaram ontem a coleta de peixes no Rio Bela Vista, afluente do Rio Paraná. A pesquisa vai orientar a construção do canal de transposição.Técnicos da Usina de Itaipu começaram a pesquisar peixes do rio Bela Vista, afluente do rio Paraná. Os pesquisadores estão fazendo um inventário completo das espécies que vivem nesse rio para orientar na construção de um canal de transposição de peixes financiado pelo Estado.
A coleta de peixes é feita com redes por um período de 24 horas em dois locais do rio, que nasce no Refúgio Biológico de Itaipu e desemboca no rio Paraná, cerca de 2.500 metros abaixo da usina. Até agora, os técnicos já identificaram 50 espécies de peixes.
De acordo com o biólogo Hélio Fontes, da Superintendência de Meio Ambiente da Itaipu, os peixes capturados são identificados, medidos, pesados e abertos para avaliação do estágio de maturação de suas gônodas. ‘‘O rio já está sendo usado por algumas espécies de peixes migradores, isso indica que ele é a alternativa mais adequada para permitir acesso dos peixes do rio ao lago’’, acredita.
O canal terá 10 metros de largura, profundidade mínima de um metro e uma vazão até 50 vezes maior do que a atual. Esse canal será o maior da América Latina. Segundo o biólogo, a vazão e a velocidade da água são alguns dos principais recursos para atrair peixes.
A água vai descer pelo canal numa velocidade de 4,18 metros por segundo em alguns pontos. A velocidade média da correnteza do rio Paraná é de 2,5 a 3 metros por segundo.
Para fazer o canal, os pesquisadores estão aproveitando as experiências obtidas com a escada de peixes, construída em 92 no pé da barragem. De acordo com esses dados, poderão passar pelo canal até 20 mil peixes por dia, em época de piracema. Cerca de 30% desse total são das espécies que já habitam o rio Paraná.
As espécies migratórias, que geralmente percorrem distâncias superiores a 400 quilômetros para se reproduzir, serão as principais beneficiadas com o canal. Hoje elas vivem encurraladas entre as barragens de Yaciretá (construída pela Argentina e Paraguai) e Itaipu, num trecho de 270 quilômetros. O dourado, por exemplo, chega a nadar mil quilômetros durante a piracema.
O canal também deverá ser usado para as provas de canoagem e rafting dos Jogos Mundiais da Natureza, em setembro na Costa Oeste. A obra, orçada em R$ 10 milhões, será financiada pelo governo do Estado e tem início previsto para março.

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