Escavadeiras hidráulicas da prefeitura de Londrina começaram ontem de manhã a abrir um canal para escoamento dos veios d’água ainda existentes no Lago Igapó 2, que foi esvaziado no final de maio para reparos na ponte da Avenida Higienópolis e agora deverá ter o leito e as margens recuperados. O objetivo de direcionar a água para o canal é provocar maior adensamento da lama acumulada no meio do lago pelo assoreamento, que posteriormente será retirada.
De acordo com previsões da Autarquia Municipal do Ambiente (AMA), deverão ser retirados cerca de 30 mil caminhões de lama, areia e lodo do meio do lago. A Secretaria Municipal de Obras pretende manter cerca de 90% dos resíduos nas imediações, para preenchimento das margens e utilização em um novo vertedouro. O restante deverá ser utilizado no aterro do lixão. ‘‘Queremos utilizar o máximo possível deste material perto do lago, porque o custo do transporte para locais distantes é muito alto’’, informa o engenheiro Renato de Nóbrega, diretor da Autarquia dos Serviços de Pavimentação de Londrina (Pavilon).
O engenheiro lembra, porém, que o tipo de material sedimentado ao longo do leito varia quanto às propriedades físico-químicas e quanto à capacidade estrutural. ‘‘Pela textura e densidade, um engenheiro ou geólogo consegue ter noção do tipo de barro.’’ De qualquer forma, a prefeitura pretende encaminhar amostras de material coletado para análise em laboratórios da própria Pavilon e da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
O secretário de Obras do município, Luis Carlos Bracarense, diz que a análise dos índices de contaminação e poluição dos sedimentos é meramente preventiva. ‘‘Não acredito em altos índices’’, afirma. De acordo com o secretário, boa parte dos sedimentos do Igapó 2 vem da estação de tratamento da Sanepar, que utiliza o manancial do Córrego Água Fresca, afluente do lago.
A prefeitura espera a colaboração de empresas particulares, que se ofereceram para ceder maquinário e agilizar os trabalhos. Mesmo que isto ocorra, porém, Bracarense não acredita em grande alteração no cronograma, que prevê a finalização das obras no lago até o mês de dezembro.
Ao contrário do Lago Igapó 1, onde análises feitas nos peixes em laboratórios da UEL constataram mudanças morfológicas nos órgãos respiratórios, no Igapó 2 este tipo de avaliação não foi feita. Não se sabe, portanto, se a lama no fundo do lago chegou a comprometer a fauna local.

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