Canal facilitará piracema e será usado em esportes
Se for confirmada a ameaça do Exército, não será a primeira vez que a construção do Canal da Barragem é paralisada. Iniciada em abril do ano passado, por uma empreiteira contratada pelo governo do Estado, com previsão de entrega em setembro do mesmo ano, a obra foi abandonada em dezembro.
A alegação foi de que os projetos originais, feitos por uma empresa de consultoria espanhola, não atendiam às exigências técnicas da Itaipu Binacional, que cedeu o terreno para a construção do canal. Antes da retomada pelo Exército, em junho deste ano, os projetos foram refeitos.
Previsto para se transformar no maior canal artificial do mundo, o Canal da Barragem seria uma das principais obras do governo para os Jogos Mundiais da Natureza, realizados na região de Foz do Iguaçu entre 27 de setembro e 5 de outubro do ano passado. Devido ao atraso, as provas das modalidades previstas para o local - canoagem de slalom e rafting -, que exigem corredeiras, foram transferidas para o Rio Iguaçu, no trecho abaixo das Cataratas.
Outra finalidade do canal seria tornar possível a piracema (subida dos peixes para as nascentes dos rios nas épocas de reprodução). Com a construção de Itaipu, concluída em 1984, esse caminho natural foi interrompido pela barragem da hidrelétrica.
O Canal da Barragem teria seis quilômetros de extensão, dez metros de largura e profundidade mínima de um metro. O maior canal do gênero já construído fica nos Estados Unidos e tem 2,7 quilômetros de extensão. Outra promessa do governo era transformar toda a área cortada pelo canal em um grande parque, com equipamentos para competições esportivas e eventos. (Valmir Denardin)





