Piraquara - O nível das águas do Rio Iraí, um dos mais importantes formadores do Rio Iguaçu, está mais baixo e as algas tomaram conta do rio na altura da Vila Maria Antonieta, em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. A imagem é desoladora. O odor das algas incomoda. Parte da água que corria no rio foi desviada para o Canal Extravasor, obra tocada pela Superintendência de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental (Suderhsa) para reduzir o impacto de cheias.
A medida gerou protesto entre os ambientalistas da região, que ameaçam entrar com uma ação civil pública para embargar a obra, que está na segunda fase. As discussões sobre as obras do canal iniciaram em 1991, mas sempre foram muito tumultuadas. Nenhum tipo de estudo de impacto ambiental teria sido apresentado, acusam os ambientalistas. Futuramente, a obra pode alterar as características originais do rio, agravar a poluição com esgotos lançados pelos moradores da ocupação irregular na beira do canal, e comprometer ainda mais a qualidade da água captada para consumo humano.
O Canal Extravasor desviou o leito natural do Iraí, que foi completamente aberto ontem nas margens de uma rua de terra batida que atravessa uma das maiores favelas da Região Metropolitana de Curitiba: Guarituba, onde moram cerca de 15 mil famílias. O canal não tem mata ciliar e desemboca no Rio Atuba, no marco zero da Bacia do Alto Iguaçu. Na beira do canal, famílias já começam a pescar.
''Este é o fruto do assoreamento e do descaso dos governos com os rios que cortam o Estado. As algas são poluição orgânica. Sol e água parada auxiliam na proliferação delas. O que vocês estão vendo aqui é o literal apodrecimento da água'', declarou o ambientalista Haroldo Osmar de Paula Júnior, presidente da Associação Paranaense de Preservação Ambiental dos Mananciais do Alto Iguaçu e da Serra do Mar (Appam).
''O rio está fadado a morrer. Vai virar uma valeta'', prevê o ambientalista Jorge Grando, da Ong Filhos Livres da Natureza. Grando lembrou que a legislação impede que mais de 10% do leito do rio sejam desviados com qualquer tipo de obra. ''Isso fere a legislação federal, estadual e municipal'', assinalou.
''A gente não consegue inibir a ocupação. Mas não se pode pensar em urbanizar favelas colocando como custo o abastecimento de água de mais de 2,5 milhões de pessoas. Não podemos comprometer a qualidade de vida das pessoas. Precisamos rever estes procedimentos, retirar as famílias que vivem aqui e respeitar a legislação'', enfatizou Paula Júnior.

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