Canadenses reformam casa no Franciscato
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 11 de março de 2008
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Uma reforma para melhorar não só a casa, mas a auto-estima da família Rosa. Esta foi a missão de um grupo de 12 jovens canadenses, que trabalhou, durante a última semana, na ampliação de uma residência no Jardim Franciscato (Zona Sul), um dos bairros mais pobres de Londrina.
Vinda de Oshua, a turma chegou em Londrina na última quarta à noite e já na quinta pela manhã iniciou o trabalho como serventes de pedreiro na obra de reforma que vai terminar com um banheiro novo, mais um quarto e uma parede reforçada para sustentar a casa de Lionil e Edna Rosa.
Hoje, o casal e os sete filhos vivem em dois cômodos apertados, onde se espalham pelo chão para dormir. À noite, cozinha vira quarto. ''Eu durmo na cozinha enquanto a mulher fica com os filhos do lado de lá'', contou Lionil, 47 anos, que vive de bicos. Aos 43 anos, Edna trabalha em casa, cuidando da criançada: a mais nova tem um ano de idade e o mais velho 15. ''Não tenho renda fixa, mas quando trabalho ganho uns R$ 550'', calculou Lionil.
A obra deve custar em torno de R$ 6,5 mil e será custeada pela igreja canadense Comunidade de Oshua. Conforme o pastor Francisco Seixas, a congregação doou os recursos para a reforma e os jovens pagaram do próprio bolso as passagens e a estadia no País. ''Também vamos mobiliar a casa com este dinheiro'', completou Seixas, que realiza missões como esta todo ano. ''Já fomos para Camboja, Paquistão, China, Colômbia, Filipinas'', assinalou.
Segundo ele, os 12 canadenses, entre eles apenas três homens, ficaram hospedados na casa de amigos da Igreja Nova Aliança. De Londrina eles partem ainda hoje para Guarapuava (Região Central do PR), e depois Florianópolis (SC), onde irão visitar outras igrejas. Esta foi a primeira visita a terras brasileiras para a maioria dos voluntários, mas outras duas missões já estiveram na cidade, ajudando na reforma de uma dezena de casas.
''Nunca trabalhei assim em outro lugar, sinto que quero continuar ajudando porque o pessoal aqui é muito bacana'', declarou Curtis Hayes, 19. Para ele, o sorriso no rosto dos filhos de Lionil e Edna é motivação suficiente continuar o trabalho missionário.
''Impactar a comunidade e mostrar para eles que há esperança e que alguém se importa com eles é a minha motivação'', confessou Justin Fox, 25. Segundo ele, a pobreza no Canadá ''não é tão ruim como aqui''. ''Aqui se briga o tempo todo para comer. Durante todo o tempo que estive aqui, só vi essas crianças comerem uma vez ao dia'', observou Fox.
Para Lionil Rosa, o trabalho dos canadenses é um benção. ''São pessoas legais e a reforma está sendo muito boa para nós'', opinou o auxiliar de serviços gerais, que ainda não decidiu de quem será o novo quarto construído com a ajuda dos voluntários. ''Só vamos dividir depois que acabar a obra.''
Segundo a pastora Marinalva Damião Cruz da Silva, da Igreja Nova Aliança, os canadenses também prestaram serviços no Centro de Educação Infantil Pastor Samuel de Souza, que acolhe 40 crianças do bairro. ''Eles se dividiram em grupos e fizeram rodízio, um dia na obra, outro no Centro, onde ajudaram os professores''.


