Camuflagem da droga alerta empresas
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quarta-feira, 10 de março de 1999
Paulo Ubiratan 
Empresários que trabalham nos ramos de café, aves e madeira estiveram na sede da Polícia Federal de Londrina, ontem, pela manhã, solicitando informações sobre quais marcas de café, de frango congelado e madeira que estavam sendo usadas no tráfico de drogas. Todos estavam preocupados, pois seus produtos poderiam estar sendo usados como fachada para mandar cocaína para o exterior.
Na última segunda-feira, a PF de Londrina apreendeu 300 quilos de cocaína na mansão do pecuarista José Antonio Daher que, por intermédio da empresa Arábica Industrial e Exportação de Café, Madeira e Aves, iria mandar o carregamento do tóxico para Espanha, usando frango congelado. A empresa é de David Rodrigues Alfredo, que dividiria R$ 200 mil com Daher, caso a cocaína chegasse ao destino.
A Polícia Federal apurou que a cocaína era colocada interior do frango congelado a 28 graus abaixo de zero, no lugar dos miúdos. Nas exportações de café, a cocaína é condicionada em latas de 500 gramas e um quilo. O tóxico é colocado no fundo da lata, separado por uma lâmina de alumínio e depois camuflada com café. No caso de esconder em carregamento de madeiras, a cocaína é colocada em um espaço propositalmente aberto no interior do centro da pilha das vigas de madeira. O frango congelado e o café são exportados em contêineres.
Até o final da tarde de ontem, policiais federais estavam fazendo revista em uma carregamento de madeira no porto de São Francisco do Sul (SC) na tentativa de encontrar cocaína escondida. A madeira tinha Portugal como destino e seria exportada por Daher e David.


