Professores e funcionários do setor administrativo do câmpus de Francisco Beltrão (Sudoeste do Estado) da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) paralisaram ontem todas as atividades, em protesto pelo não-recebimento de salários, que devem ser pagos diretamente pelo Estado. Já são quatro meses sem pagamento, e a direção do câmpus sequer recebeu explicações da Secretaria da Fazenda, responsável pela liberação do dinheiro.
A folha mensal, de 56 professores e outros 35 funcionários, é de aproximadamente R$ 89 mil. O diretor do câmpus, professor Darci Baldo, disse ontem à tarde que a Secretaria de Ensino Superior e a reitoria da Unioeste (sediada em Cascavel) ‘‘fizeram tudo o que era preciso’’, para o encaminhamento do processo de liberação. O problema estaria apenas na viabilização dos recursos, mas Baldo preferiu não fazer comentários. A Unioeste é a única entre as universidades paranaenses sem orçamento próprio.
Darci Baldo está trabalhando em casa, embora se diga ‘‘solidário’’ ao protesto, ‘‘afinal, também estou sem receber’’. Os professores e servidores têm apoio dos 1.040 alunos, na greve. Eles utilizaram cadeados e correntes para fechar todos os acessos ao interior do prédio, onde ninguém entra, mas pediram à Polícia Militar para manter o patrimônio sob vigilância. O câmpus é originário da Faculdade de Ciências Sociais de Francisco Beltrão (Facibel), incorporada à Unioeste há dois meses.
A Facibel foi fundada em 74, mas quase 25 anos depois tem apenas quatro cursos. Com a incorporação à universidade (que tem outros quatro câmpus no Oeste paranaense), a expectativa dos professores, alunos e comunidade local, que apoiou a incorporação, era de que houvesse avanços, com a criação de novos cursos. Na questão da remuneração ao quadro de pessoal e investimentos em obras e equipamentos a Unioeste tem pouca influência, porque ela depende da decisão do Estado para liberação de recursos.

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