Curitiba - O patrimônio natural dos Campos Gerais guarda (e conta) valiosa parte da história da formação da Terra. Os arenitos esculpidos em formas simbólicas, as furnas e a Lagoa Dourada do Parque Estadual Vila Velha, o Buraco do Padre, o Canyon Guartelá, quedas d'águas e cachoeiras encravadas na natureza compõem uma paisagem deslumbrante. As estrias glaciais de Witmarsum, no município de Palmeira, registram que, há mais de 300 milhões de anos, a região era coberta por geleiras. Outra forma de relevo especial é a Escarpa Devoniana, espécie de degrau ou elevação topográfica que faz o limite entre o primeiro e o segundo planalto, com até centenas de metros de desnível.

Trocando em miúdos, o magnífico conjunto geológico dos Campos Gerais aliado às exposições de rochas é prova de que ali já foi mar (fósseis de invertebrados marinhos), também existiu glaciações e vulcões (rochas vulcânicas). Tudo isso somado a outras riquezas arqueológicos, à tradição sóciocultural do Tropeirismo, ao potencial turístico e ao fato da região já servir como espaço de interesse para estudos didáticos e científicos sobre geodiversidade e biodiversidade, motivou a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) e a Minérios do Paraná (Mineropar) a buscarem o reconhecimento mundial desse patrimônio natural.

UEPG e Mineropar trabalham para, em cerca de dois anos, conquistar o selo de ''Geoparque dos Campos Gerais'' junto à Rede Global de Geoparques criada pela Unesco. ''Arrisco a dizer que é uma das áreas mais especiais do Paraná. Do ponto de vista geológico é uma das principais áreas para receber grupos de universidades, como laboratório ao ar livre. Aqui vem pesquisadores até de fora do Estado e do país'', contextualiza o professor do Departamento de Geociências da UEPG, Gilson Burigo Guimarães. A ideia é que a certificação estimule o desenvolvimento regional, amplie a vocação para o geoturismo e contribua para fortalecer a identidade regional.

A região fisiográfica dos Campos Gerais tem cerca de 17 quilômetros quadrados, engloba 13 municípios localizados no segundo planalto e tem como principais formações geológicas a Ponta Grossa e a Furnas, com idade estimada de 450 milhões de anos. ''O conceito de geoparque não exige que áreas sejam desapropriadas, como as políticas nacionais para criação de parques. Pelo contrário, é necessário que a população viva nessas áreas e tenha benefícios sociais e econômicos, focando no desenvolvimento sustentável, além de servirem como fonte de conhecimento e informação. Essas são missões fundamentais para ganhar o reconhecimento da rede'' explica Guimarães.

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