A 16ª Subdivisão Policial de Campo Mourão está esperando há seis meses a nomeação de três delegados para dar andamento normal aos trabalhos. Enquanto isso, o delegado-chefe Roberval Butaccini e o adjunto Benedito Lúcio de Souza se revezam em plantões e em pilhas de inquéritos. ‘‘Ainda não consegui exercer a função de delegado-chefe’’, queixa-se Butaccini, que assumiu o comando da 16ª SDP em setembro do ano passado.
A delegacia de Campo Mourão, que abrange 27 municípios, incluindo Cianorte, tinha cinco delegados de carreira até setembro, quando a Secretaria de Segurança Pública trocou todo o comando da polícia local. Desde então, Butaccini veio de Apucarana - onde era delegado-adjunto - e até agora só recebeu a ajuda de Souza, que chegou cerca de 15 dias depois. ‘‘Mas o problema não ocorre só em Campo Mourão’’, consola-se o delegado.
A vaga que Butaccini deixou em Apucarana, por exemplo, também não foi preenchida. ‘‘Sabemos da dificuldade que a secretaria está tendo em remanejar todo o pessoal’’, afirma o delegado-chefe. ‘‘Nossa esperança é que saia um concurso’’. Segundo ele, há pelo menos 28 vagas em aberto para delegados em início de carreira em todo o Estado. Em todos os 27 municípios da subdivisão policial, existem apenas oito delegados de carreira.
Difícil Faltam delegados até em sedes de comarca, como Barbosa Ferraz, Terra Boa e Campina da Lagoa. Sem eles, os cargos são ocupados por assistentes de segurança. Butaccini teve inclusive que recorrer a um desses auxiliares para ajudar nos trabalhos da delegacia de Campo Mourão. Antônio Rodrigues dos Santos é delegado nomeado para o 1º Distrito Policial, no Lar Paraná, mas enquanto o bairro não ganha estrutura ele atua na sede da delegacia.
‘‘A situação é difícil’’, admite Butaccini. Esta semana, por exemplo, ele está de plantão e tem que ficar 24 horas na delegacia. ‘‘Estou fazendo às vezes de delegado operacional’’, frisa. Sobrecarregado, ele tenta a transferência do delegado de Nova Cantu. A cidade, apesar de não ser sede de comarca, tem um delegado de carreira porque é alvo constante dos sem-terra. ‘‘Não posso ficar o tempo todo só presidindo inquéritos e lavrando flagrantes’’, diz Butaccini.

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