Campo Mourão - Foi decretado, na manhã de ontem, estado de emergência em Campo Mourão, em decorrência do temporal de granizo que atingiu cerca de 1,6 mil casas na noite de sábado. ''A tempestade não deixou desabrigados, mas desalojados. A maioria da população optou por utilizar a lona para cobrir o telhado e permaneceu em casa, tomando conta dos móveis'', informou o secretário do Planejamento, Fabio Gaspar Melo.
Segundo ele, 15 equipes formadas por voluntários do Corpo de Bombeiros, Polícia Militar e servidores da Prefeitura percorreram os bairros, durante todo o dia de ontem, para cadastrar residências que sofreram avarias. ''Os maiores danos acometeram as regiões Lar Paraná, Centro Norte e Asa Leste, que são mais carentes e afastadas e onde a maioria das casas possui telhas com quatro milímetros de espessura.''.
Ainda conforme o secretário, os estoques de lonas dos Bombeiros e da Cooperativa Agroindustrial Coamo acabaram e a cidade conta com doações de municípios vizinhos para atender as famílias. ''Pelo decreto de estado de emergência, o qual terá duração de um mês, a prefeitura poderá contratar serviços sem a necessidade de licitação'', ressaltou Melo, citando que desde sábado já foram entregues mais de 60 mil metros quadrados de lonas à população e a previsão é distribuir mais 60 mil telhas a partir de quinta-feira.
''Já não há mais telhas na cidade e as lojas de materiais de construção estão inflacionando o preço'', alertou o secretário, citando que o governo estadual se colocou à disposição do município, inclusive com o possível envio de telhas para atender a população: ''Estima-se um gasto de cerca de R$ 400 mil em materiais de construção''.
Na primeira contagem da Defesa Civil, anteontem, 1.206 famílias haviam sofrido prejuízos com a tempestade. Segundo o secretário, a estimativa final é de que mais de 1,6 mil casas tenham sido alagadas pela chuva.
Ontem, a prefeitura aproveitou a estiagem para dar início à limpeza das ruas, em sua maioria cheias de folhas derrubadas das árvores pelo vendaval. Nos bairros, moradores também varriam a sujeira para fora dos quintais, enquanto outros recolocavam telhas nas residências.
Na manhã de ontem, o pintor Washington Luis Mendes ainda cobria o telhado com lonas para evitar mais uma inundação na casa onde vive com a esposa, a diarista Maria Aparecida dos Santos, os três filhos e a sogra, na Vila Cândida, um dos bairros mais atingidos pela tempestade.
''Estávamos em casa na hora da chuva e eu só pensava em ir atrás do meu menino que tinha saído'', relatou Maria Aparecida, lembrando que ventou bastante antes da chuva de granizo: ''Caiu muita pedra e quebrou as janelas da cozinha e do quarto, molhando as camas e cobertas. Também entrou água pelo esgoto do banheiro'', descreveu a diarista, que reuniu pedaços de lona doados pela Prefeitura, pelo dono da casa e por um vizinho para, finalmente, cobrir todo o telhado, ontem.

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