A Prefeitura de Campo Mourão está mandando de volta para suas cidades de origem todos os andarilhos que vêm chegando ao município. A ‘‘devolução’’, no entanto, está sendo feita dentro de programa especial desenvolvido pela Secretaria Municipal do Bem-Estar Social. Trata-se do ‘‘SOS Migrante’’, que diariamente tem recolhido cerca de 10 andarilhos pelas ruas da cidade. Eles são levados para o Albergue Noturno e, em três dias, no máximo, recebem as passagens para voltar para casa.
O trabalho vem sendo feito em conjunto com a Polícia Militar, que faz as rondas pela cidade. Um agente social acompanha os casos atendidos. No albergue, além de banho, comida e local para dormir, os andarilhos preenchem uma ficha e vão trabalhar em pequenos serviços no próprio albergue ou no Horto Municipal. Paralelamente, a Prefeitura providencia o retorno deles às cidades de origem. Ninguém recebe a passagem, no entanto, sem trabalhar antes. É o que a Secretaria chama de combate ao assistencialismo.
‘‘Procuramos promover o resgate da cidadania destas pessoas’’, ressalta a assistente social Ivone Maggione Fiore. ‘‘Elas são retiradas das ruas e incentivadas a voltar para casa através do trabalho’’. O programa está em vigor há somente 15 dias, mas, segundo Ivone, ainda não aconteceram casos de resistência. ‘‘Por enquanto, todos têm aceitado pacificamente’’, frisa. Num dos casos, no entanto, o andarilho foi parar na delegacia. Era um homem que se fingia de deficiente para pedir esmolas. Ele foi reconhecido pela PM e preso.
Os primeiros dias de trabalho do ‘‘SOS Migrante’’ também serviram para a Prefeitura constatar casos de andarilhos que foram deixados em Campo Mourão por outras prefeituras. ‘‘Pelo menos foi isso que alguns nos contaram’’, salienta Ivone. De acordo com ela, se esse tipo de caso se tornar frequente, o município vai acionar o Ministério Público. Em outros casos, os andarilhos eram de Campo Mourão e estavam na rua por alcoolismo ou por problemas mentais. Todos foram levados para casa.

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