Campo Mourão consome 11 mil litros de leite cru por dia
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terça-feira, 02 de outubro de 2001
Sid Sauer<br> De Campo Mourão 
Uma pesquisa do departamento de medicina veterinária do Centro Integrado de Ensino Superior (Cies) revelou que 37,6% do leite consumido em Campo Mourão não é pasteurizado. Do consumo total de cerca de 30,5 mil litros por dia na cidade, 11,2 mil são de leite cru. Em alguns bairros, o índice de consumo do leite in natura vendido de porta em porta chega a 46,40%.
Os números foram divulgados pela Vigilância Sanitária municipal em reunião com mais de 100 pequenos produtores. A venda do chamado leite cru é proibida por lei federal desde 1950. Em Campo Mourão, segundo a Vigilância, o consumo do produto sem pasteurização é a principal suspeita dos surtos de hepatite A verificados este ano na cidade.
Na região do Conjunto Cohapar, onde 36 moradores contraíram a doença em abril, a Secretaria de Saúde fez exames em cinco entregadores de leite cru e descobriu que todos tinham o vírus da hepatite A. A pesquisa do Cies constatou que 1,8% dos consumidores de leite cru não ferve o produto para o consumo.
''São cerca de 1.500 pessoas correndo risco de doenças'', disse o chefe da Vigilância Sanitária, Carlos Bezerra. O Cefet de Campo Mourão examinou 10 amostras de leite cru vendido na cidade e apurou que todas eram consideradas ''inaceitáveis para o consumo'' devido ao alto índice de coliformes fecais.
O Ministério Público deu um prazo de quatro meses para os produtores se organizarem e suspenderem a venda do leite cru em Campo Mourão. ''Nosso leite nunca fez mal a ninguém'', protestou Lucas Santiago Lino, 65 anos. Ele tem 36 vacas e vende diariamente 400 litros de leite in natura pelas ruas da cidade. O preço é o mesmo do leite encontrado nos mercados - R$ 0,65 o litro.


