As organizações não-governamentais (ONGs) de reciclagem de lixo querem criar um mecanismo para vender em conjunto o material que coletam. Esta semana, representantes de cada uma das 12 ONGs se reuniram para discutir o processo de criação de uma espécie de central de vendas. Com isto os recicladores querem agregar valor ao material que hoje cada ONG vende separadamente.

A necessidade de se unir para melhorar o preço dos materiais recicláveis surgiu durante o 5º Curso de Formação de ONGs de Reciclagem, coordenado pelo Projeto 1000 ONGs.


Segundo o coordenador do projeto, Durvalino Biliato, as estruturas ainda são precárias (a maioria ainda trabalha de forma improvisada em baixo de lonas, faltam equipamentos como prensa e balança), mas o problema de pouco material para reciclagem está sendo revertido. Através de campanhas realizadas junto à população, as ONGs conseguiram aumentar a quantidade de lixo obtido e hoje não dependem mais apenas do material distribuído pelos caminhões da prefeitura.

Segundo José Paulo da Silva, coordenador do programa de coleta seletiva da Companhia Municipal de Transporte e Urbanização (CMTU), hoje as 12 ONGs recebem juntas 16 toneladas diárias de lixo dos caminhões e coletam elas mesmas 10 toneladas por dia.

Cada ONG se responsabilizou por desenvolver a campanha em bairros próximos de onde estão instaladas. O grupo passa nas casas distribuindo sacos para acondicionar o material e depois voltam para a coleta. Um caminhão da CMTU recolhe os sacos e leva até a ONG.

''Com isto, além de aumentar em muito a quantidade e a qualidade do material adquirido, ganha-se tempo. O mesmo trabalho que o caminhão da CMTU levava um dia para fazer, agora faz em duas horas'', afirma Biliato.

A ONG de Reciclagem das Mulheres Batalhadoras está desenvolvendo a campanha em quatro bairros da região Sul. Rosalina Batista afirma que o resultado já é obtido financeiramente. ''Em setembro cada um dos recicladores recebeu R$ 32,00. No mês seguinte, cada um recebeu R$ 65,00'', afirma. As estruturas ainda são bastante deficitárias. O grupo formado por 20 pessoas trabalha em um espaço pequeno alugado por R$ 120,00 e não possui equipamentos importantes como prensa e balança de pesagem. Outras ONGs ainda trabalham em condições piores, mas segundo Biliato, com as campanhas também estão coletando uma quantidade bem maior de material.

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