Campanha vira disputa na reta final
Nos últimos dias da eleição do símbolo de Curitiba, a campanha amplia discussão na cidade e está polarizada entre duas candidaturas. O prédio da Universidade Federal do Paraná vira bandeira de intelectuais e políticos da oposição. A prefeitura investe no Jardim Botânico - uma das marcas de Jaime Lerner -, jogando no ar uma peça publicitária que deixa clara sua opção.
Independente do resultado da votação, alguns publicitários analisaram, a convite da Folha o marketing adotado pelo Banco Itaú para se aproximar da população curitibana. Um dos especialistas ouvidos pela própria agência de criação do banco, a DPZ, de São Paulo, é o diretor de criação da Mercer Comunicação, Sérgio Menezes. Catarinense, radicado em Curitiba há mais de 30 anos, Menezes votou num símbolo que nem chega a aparecer nas cédulas da campanha, o Museu Paranaense. Para mim ele é um marco da cidade, diz o publicitário. E foi justamente sobre isso, que conversei com o Wilson Ferrari, um dos criadores da campanha da DPZ. Achei que ela funciona, é simpática, mas só tem uma ressalva, ela coloca uma Curitiba muita nova, de 15 anos para cá.
Segundo o publicitário, a campanha movida pelos ex-alunos da Universidade Federal do Paraná é um exemplo. Ela é como se fosse um sintoma de que os curitibanos estão querendo um pouco de história, explica. A pergunta que eu coloquei para o pessoal da DPZ foi a seguinte: será que o curitibano está se vendo no filme que ele assiste na televisão? Acho que a empatia existe, mas talvez não seja tão imediata como deveria.
Falando principalmente na questão marca, José Buffo, diretor de criação da Agência Heads, garante que a campanha só funcionou porque o banco patrocinador tem tradição. Se fosse uma outra marca qualquer, que ainda precisasse ser construída com certeza não teria o mesmo resultado, diz ele. Para o publicitário, todo curitibano tem orgulho por tudo que é feito na cidade e principalmente pelos seus ícones.
Um dos eleitores do prédio da UFPR, Buffo também alerta para o fato de a cédula só apresentar símbolos modernos, que não contam a história da cidade. Eu votei na universidade porque é um prédio que está na vida dos curitibanos há muito mais tempo. E o que é bom precisa ser lembrado o tempo inteiro. Podem até questionar se o banco não está ganhando em cima disso. Mas se a campanha é positiva para o banco é também para a cidade, conclui.(V.A.)





