Campanha troca só 2 armas por cestas
Sobraram alimentos para serem trocados por armas na Campanha pelo Desarmamento promovida por estudantes da UEL
Dorico da SilvaCONSCIENTIZAÇÃOPM recebeu as armas que serão destruídas em Curitiba; na primeira fase, faltaram cestas
Katia Baggio
De Londrina
Especial para Folha
Desta vez faltaram armas para trocar por cestas básicas na Campanha pelo Desarmamento promovida pelos alunos de Direito da Universidade Estadual de Londrina (UEL) desde abril. Um dos coordenadores da campanha, Bruno de Oliveira, disse que no primeiro dia de troca marcado para 26 de junho, no Caic da zona sul, 30 pessoas levaram armas para trocar por cestas básicas, mas faltou alimentos para a composição das cestas.
Ontem, no entanto, havia 60 cestas, arrecadadas entre supermercados e comunidade de Londrina, mas só duas pessoas foram trocar suas armas pelas cestas. Policiais militares receberam as armas.
Zilda Paixão da Silva e o filho de 8 anos, Paulo Fernando Paixão chegaram às 9 horas para entregar uma garrucha, calibre 28 de fabricação caseira. A arma era do avô de Paulo Fernando. Zilda Paixão disse que ficou aliviada por tirar a garrucha de casa. Eu tinha medo de algum acidente com as crianças, disse, e levou a cesta prometida. Um revólver calibre 22 com 7 projéteis também foi deixado por um homem de meia idade que não quis se identificar.
Bruno de Oliveira espera que as pessoas que trouxeram as armas no primeiro dia de troca voltem aos poucos. E está satisfeito porque o principal objetivo, a concientização de crianças para o perigo dos armamentos foi atingido. A presença do Paulo Fernando com a mãe foi a prova.
A entrega espontânea de armas está prevista no Código Penal como desistência voluntária de crime. Não há punição prevista para quem tenha mantido arma ilegalmente em casa por muito tempo.
As armas serão encaminhadas para a Polícia Civil em Londrina que vai enviá-las para a Delegacia de Explosivos, Armas e Munições (DEAN), em Curitiba, onde serão destruídas.
A Campanha pelo Desarmamento vai ser ampliada. Os organizadores informaram que começa na segunda-feira um levantamento e diagnóstico sobre todas as mortes violentas ocorridas em Londrina nesse ano, tendo como base os laudos do Instituto Médico-Legal. Em seguida, será elaborada uma cartilha com o objetivo de alertar a população para o surgimento da violência a partir de situações banais e como evitá-las. A cartilha será distribuída nas escolas.
Oliveira não soube dizer quando acontecerá nova troca de armas por comida mas garante que a campanha não acabou. Os organizadores continuam aceitando alimentos para as cestas básicas.





