Ponta Grossa
A delegacia da Polícia Civil de Castro, município a 40 Km de Ponta Grossa, encontrou uma maneira no mínimo curiosa para conter a criminalidade: está trocando armas por cestas básicas. A campanha começou há uma semana, com apoio da prefeitura e da Secretaria de Segurança Pública do Estado.
De acordo com o delegado Mário Machado, um dos coordenadores da campanha, a iniciativa sensibilizou os moradores de Castro. Centenas de cartazes, faixas e adesivos estão nas ruas, lojas, bares, bancos e dentro das próprias casas das pessoas, que estão levando a mensagem de conscientização da campanha para todos os bairros e também à zona rural do município.
A campanha vem sendo organizada desde fevereiro, quando o delegado Mário Machado começou a realizar reuniões com a comunidade, colhendo propostas e sugestões para o desenvolvimento do trabalho. Foram ouvidos os clubes de serviço, como Lions e Rotarys, igrejas, escolas, o segmento empresarial e o Poder Judiciário.
Segundo o delegado, todos foram unânimes em concordar ‘‘que muito mais do que desarmar a população, é preciso fazer um trabalho de conscientização, mostrando o perigo e as consequências que o uso e o porte de uma arma podem trazer a uma pessoa’’.
Assim que recomeçem as aulas, a campanha será levada para dentro das escolas. Os alunos vão participar de concursos de redação, frases e desenhos explorando o tema da campanha. A coordenação da campanha acredita que através do trabalho nas escolas pode colher subsídios e levantar os diversos problemas da violência que atingem as crianças e as famílias de Castro. ‘‘Por meio da redação ou desenho, o estudande pode expressar um pouco da sua realidade’’, disse Mário Machado.
O principal instrumento que caracteriza a campanha é uma cartilha que convida a população a participar e destaca, com textos e ilustrações, alguns motivos para que as pessoas não andem armadas ou tenham uma arma guardada em casa. Uma das primeiras pessoas a aderir a campanha foi um ex-presidiário. ‘‘Ele entregou sua arma não somente pela cesta básica, mas principalmente pela garantia de sua liberdade’’, disse o delegado.
No ano passado Castro registrou 300 crimes contra a pessoa, que vão desde a agressão até o homicídio, e 400 crimes contra o patrimônio. Segundo o delegado, para um município com uma população de 66 mil pessoas, esse índice é ‘‘altíssimo’’.

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