''Dá um trocado, tio''. ''Preciso comprar uma passagem de ônibus e só faltam R$ 0,50''. ''Tenho uma doença terminal e você não pode me ajudar?''. As táticas de mendicância são as mais variadas e, assim, de grão em grão, os pedintes conseguem arrecadar o suficiente para sustentar vícios, ajudar a família ou simplesmente sobreviver. Mas o dinheiro fácil obtido no semáforo ou em locais de grande movimento também vai fácil e quase nunca muda a vida de alguém. Na tentativa de quebrar esta cadeia improdutiva e tentar dar reais perspectivas a quem pede, a Secretaria de Assistência Social de Londrina, através do Programa Sinal Verde, lança hoje a quarta edição da campanha ''Não dê Esmolas, dê oportunidades''.
''Vamos, através da campanha, mobilizar a sociedade e tentar construir uma rede solidária, com o objetivo de evitar que crianças, adolescentes e adultos façam das ruas o seu local de moradia e sobrevivência'', defende a coordenadora do Sinal Verde, Adriana da Cruz Barrozo. Ações para coibir a mendicância, segundo ela, ocorrem o ano todo, mas o ''lançamento'' nesta época do ano, quando as pessoas costumam ser mais solidárias, é uma tentativa de reforçar que o ato de contribuir com quem pede só ajuda a perpetuar a prática.
O Sinal Verde atende, em média, cerca de 300 pessoas por mês. Nesta época do ano, a média de atendimento cresce, influenciada principalmente pelo período de férias escolares. Sem a obrigação de frequentar as aulas, as crianças são usadas por adultos em trabalhos infantis (vender balas, por exemplo) e para pedir esmolas.
A londrinense Priscila Carvalho diz que em vários pontos por onde passa com o carro é abordada por pedintes mas não cede às pressões. ''Eles ficam em muitos cruzamentos mas não dou dinheiro. Tem casos de mães que colocam os filhos pequenos para pedir por ser mais fácil. Tem até um rapaz que fala que precisa de dinheiro para ir para Maringá mas nunca vai embora'', aponta ela. O taxista Fernando Rolim também não contribui com dinheiro. ''Se toda vez que alguém pedir e eu der fico quebrado'', reclama.
Quase todos os dias, o estudante de Direito Carlos Verri é abordado por algum pedinte no trânsito mas garante que nunca deu nada. ''Eu acho errado isso, principalmente quando é criança'', afirma. A dona de casa Agda Inogaki ensina que achou uma forma melhor de atingir quem precisa de fato. ''Não dou esmola mas contribuo com algumas entidades beneficentes que eu sei que são sérias e ajudam realmente'', comenta.
Tática esta totalmente aprovada pela coordenadora do Sinal Verde. Adriana orienta que a forma mais eficiente de ajudar é contribuir com alguma entidade ou serviço que assiste pessoas em situação de mendicância ou de rua. Pessoas físicas e jurídicas podem, inclusive, destinar parte do imposto de renda ao Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, por meio da campanha ''Futuro Criança''.

SERVIÇO: Para ajudar o Sinal Verde como voluntário ou com informações sobre pessoas em situação de rua, qualquer um pode ligar para o telefone (43) 3378-0417.

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