Marcelo AlmeidaBonecas infláveisIludia Rosalinski, educadora em saúde do Grupo Dignidade, explica como se usa o preservativo: atração na Boca MalditaBonecos infláveis, pênis de borracha, demonstração do uso de preservativos femininos e distribuição de camisinhas foram a atração, na manhã de sábado, na Boca Maldita, em Curitiba. A campanha, liderada pelo Grupo Dignidade, foi o início de um movimento que pretende conseguir no mínimo 300 voluntárias para testar durante um ano o preservativo feminino, numa parceria com o Hospital de Clínicas.
‘‘Só após o teste o preservativo poderá ser vendido no País’’, explica a educadora em saúde do Grupo Dignidade, Iludia Rosalinski. ‘‘Ele permite às mulheres a independência da prática sexual’’, justifica. O preservativo já está amplamente disponível nos Estados Unidos, mas no Brasil ainda precisa passar por um estudo para que sejam avaliadas a eficácia e aceitação.
Há dois anos, o Hospital de Clínicas lançou a campanha, mas não conseguiu concluir o teste por falta de voluntárias. Aproveitando a ocasião do Dia Internacional da Mulher, comemorado ontem, o Grupo Dignidade entrou na campanha e, até na manhã de sábado, já havia cadastrado dez mulheres.
‘‘Fiquei sabendo sobre a campanha por uma amiga e vim até aqui especialmente para obter maiores informações’’, disse a bióloga Débora Figueiredo, 32 anos, divorciada. ‘‘Ainda tenho dúvidas sobre o uso da camisinha para mulheres, mas acho superinteressante não dependermos mais unicamente da iniciativa dos homens’’, disse. Débora foi uma das primeiras voluntárias cadastradas no programa.
Durante a demonstração pública, entretanto, o número de homens interessados foi superior ao de mulheres. Enquanto muitos pararam simplesmente para olhar, outros se rebelaram, causando um pequeno tumulto. ‘‘Eu teria vergonha que a minha filha de 11 anos estivesse passando aqui comigo e visse esta demonstração’’, disse o policial aposentado José Apolônio Lima. ‘‘Uma demonstração como essa deveria ser feita em locais fechados, só para adultos, e não aberta ao público’’, continuou. ‘‘Toda nudez será castigada e isso aqui é uma agressão’’. Ele se referia, principalmente, à exposição de bonecos infláveis, nos quais era feita a demonstração do uso dos preservativos.
‘‘Isto aqui é a mesma coisa que o cinema proibido para menores de 18 anos, só que está acontecendo na rua. Acho que agride colocar um pênis e uma vagina expostos ao público desta forma’’.
Enquanto o policial discutia, outro grupo de homens que assistia às demonstrações reclamou do suposto caráter comercial da campanha, dizendo que aquilo tinha o principal objetivo de vender os preservativos. O presidente do Grupo Dignidade, Toni Reis, respondeu que o objetivo da campanha era vender conscientização e não camisinhas.
O médico Rosires Pereira de Andrade, professor titular de Reprodução Humana na Universidade Federal do Paraná, acha que é ‘‘nocivo’’ tentar esconder a realidade. ‘‘Nós e o Grupo Dignidade temos o intuito de ajudar a população, principalmente a mais carente’’, explicou. Na opinião do médico, as crianças também precisam começar a se informar, para saber como acontece a transmissão das doenças sexuais e suas devidas prevenções. ‘‘Não adianta fazer como avestruz e ignorar os problemas reais’’, afirmou.
O preservativo feminino é uma bolsa cilíndrica de 16 centímetros de comprimento, com dois anéis nas extremidades, feita de um plástico fino e resistente e lubrificada por dentro e por fora. As mulheres interessadas em se cadastrar no projeto devem ligar para os telefones (041) 222-3185 ou 222-3999.

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