Campanha revela riscos da automedicação
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sexta-feira, 05 de maio de 2000
Érika Pelegrino De Londrina 
Uma campanha nacional ontem, deflagrada por alunos do curso de farmácia, teve como objetivo alertar a comunidade para o uso correto dos medicamentos. Em Londrina, o movimento contou com a participação dos estudantes da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e apoio da Associação de Farmacêuticos. Estudantes estiveram no Calçadão (centro) durante parte da manhã e da tarde distribuindo folhetos. A função do farmacêutico também foi abordada.
Cristiane Fujita, membro do Conselho Fiscal da Associação de Farmacêuticos e presidente do Sindicato dos Farmacêuticos do Paraná, explica que o uso incorreto de medicamentos e, principalmente, a automedicação é uma questão cultural no Brasil. Ela cita alguns casos mais recorrentes, entre eles o que envolve a antibiótico-terapia (tratamento realizado a base de antibióticos, receitados quando há alguma infecção).
É uma prática quase comum interromper o uso deste remédio assim que os sintomas da infecção desaparecem. Entretanto, Cristiane Fujita explica que o tratamento com antibiótico deve ser seguido rigorosamente como foi prescrito pelo médico, tanto no que diz respeito aos horários, quanto ao número de dias. Segundo alguns médicos, o antibiótico nunca deve ser tomado menos de 10 dias.
A farmacêutica alerta que as consequências, se a pessoa não fizer o tratamento adequadamente, podem ser muito sérias. As bactérias tornam-se resistentes e em tratamentos posteriores, quando novas infecções surgirem, serão necessários antibióticos cada vez mais potentes e caros.
O resultado são hospitais cheios, porque dependendo da repetitividade da doença a pessoa acaba sendo internada para tratamento, afirma Cristiane Fujita.
A chamada empurroterapia é outra prática preocupante não só nas farmácias de Londrina como de todo o Brasil. De acordo com Cristiane Fujita, a empurroterapia é praticada por balconistas e por proprietários que não são farmacêuticos. Sob a justificativa da sobrevivência empurram diversos medicamentos para a pessoa. Muitas vezes a pessoa precisa só de uma pastilha para a garganta, por exemplo, mas sai da farmácia carregando antiinflamatório, antibiótico, antitérmico e nesta brincadeira gasta até R$ 80,00, afirma.
Entra em jogo nesta situação algo denominado ética. Na opinião da farmacêutica, a empurroterapia acontece quando não há uma ética profissional. Esta prática evidencia um problema que é a saúde transformada em produto de lucro. Esta realidade pode ser verificada pelo grande número de farmácias em Londrina. A OMS (Organização Mundial de Saúde) preconiza que haja uma farmácia para cada 10 mil habitantes e em Londrina existem 200 farmácias. O que significa que há uma farmácia para cada 2.500.
O reverso desta situação pode ser observado na camada mais carente da população. Pessoas que buscam as Unidades Básicas de Saúde e muitas vezes não compreendem as orientações dos médicos. Os médicos atendem rapidamente e muitas vezes as pessoas saem sem entender a forma adequada e uso do medicamento. Por isso o farmacêutico deve estar orientando os clientes neste sentido, explica Cristiane Fujita.
Segundo ela, as unidades básicas deveriam ter um farmacêutico para orientar sobre o uso adequado dos medicamentos. Qualquer pessoa pode fazer isto dentro de um posto de saúde, mas só o farmacêutico tem o conhecimento de farmacologia e fisiologia necessários, explica.
A farmacêutica afirma que o problema também é verificado em consultórios particulares, mas no Sistema Único de Saúde o problema é maior devido ao grande número de pessoas para serem atendidas em apenas 4 horas e à justificativa do baixo salário. Falta paciência dos médicos para orientar um pouco melhor os pacientes, acredita.


