Campanha quer tirar crianças da lavoura e colocar na escola
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sexta-feira, 05 de dezembro de 1997
Fhabyo Matesick 
Especial para a Folha
Albari RosaIniciativaHélio Fensterseifer, presidente do Sindifumo: Nas propriedades que produzem fumo no Sul do País, cerca de 20% da mão-de© obra utilizada é infanto-juvenil. Na época da colheita, a grande maioria deixa a escola, perdendo o ano letivo e em muitos casos abandonando definitivamente os estudos. Para ele, contar com o trabalho das crianças na época da colheita é, para os produtores, uma questão culturalFoi lançada ontem na sede do Ministério Público, em Curitiba, a campanha Criança na Escola, Futuro Garantido, que tem como objetivo conscientizar as 160 mil famílias de agricultores que plantam fumo nos três Estados do Sul do País sobre a importância de manter as crianças na escola.
A campanha, produzida pelo Sindicato das Indústrias de Fumo (Sindifumo), Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra) e Federação da Agricultura do Estado do Paraná, com apoio do Ministério Público, pretende através de folhetos, cartazes e peças veiculadas em jornais, rádio e televisão, estimular nas famílias o interesse pela formação profissional.
Nas propriedades que produzem fumo no Sul do País, cerca de 20% da mão-de-obra utilizada é infanto-juvenil. Na época da colheita, a grande maioria deixa a escola, perdendo o ano letivo e em muitos casos abandonando definitivamente os estudos, reconhece Hélio Fensterseifer, presidente do Sindifumo.
O Paraná é o segundo Estado brasileiro na utilização de mãodeobra infanto-juvenil, sendo superado apenas pelo Piauí. Segundo o Procurador Geral da Justiça do Paraná, Olympio de Sá Sotto Maior Netto, cerca de 30% da população economicamente ativa do Estado, tanto nas áreas rurais como nas cidades, é formada por crianças e adolescentes. O problema é que as crianças que mais necessitam de uma formação educacional, geralmente vindas de famílias pobres ou pequenos agricultores, deixam a escola para trabalhar e ajudar a família, disse o procurador.
Dos 650 municípios que trabalham com a produção de fumo no Sul do Brasil, 153 estão no Paraná, onde 22 mil famílias produzem por ano 79 mil toneladas de fumo, gerando R$ 150 milhões. Para o presidente do Sindifumo, o importante é orientar os pais sobre a necessidade de formação educacional para o futuro das crianças. A indústria do fumo está querendo fazer sua parte, que é convencer os agricultores a manter as crianças na escola. Mas o problema é que cerca de 94% dos produtores são de pequenas propriedades, onde o auxílio das crianças e adolescentes é hábito cultural, principalmente nas atividades não mecanizadas, disse Fensterseifer.
Segundo estatística divulgada pelo IBGE, cerca de 4,6 milhões de crianças brasileiras estudam e trabalham e 2,7 milhões apenas trabalham. Esta campanha tem interesse de conscientizar não só os produtores de fumo, mas também todos os segmentos da agricultura e até as periferias das grandes cidades, onde as crianças também iniciam cedo no trabalho, disse Olympio Sotto Maior Netto. A campanha custará R$ 160 mil e será veiculada até o dia 17 de dezembro.


