Dorico da SilvaCivismoAlunos de escola municipal cantam o hino: campanha do RotaryResponda rápido: você saberia cantar, agora, um trecho do Hino de Londrina?
Se não sabe, se não tem a menor idéia de como ele seja ou, então, se nem mesmo sabia que existia um hino, pode ficar calmo. Quase ninguém na Cidade conhece os versos que Francisco Pereira de Almeida fez, há 38 anos, para a música de Andrea Nuzzi. Versos entusiasmados, que começam com ‘‘Londrina cidade de braços abertos a todos os filhos do nosso Brasil’’; e que terminam assim: ‘‘Londrina, Cidade que um povo viril ergueu para a glória do nosso Brasil’’.
O vendedor autônomo Bertoldo Prellvitz, por exemplo, puxa fundo na memória, lembra de quando chegou à Cidade, há mais de 20 anos, mas nada de hino. ‘‘Sei que existe, mas não conheço. Acho até que deveria ser mais divulgado, em ocasiões públicas por exemplo.’’ Torcedor do Paraná Clube e do Palmeiras, Bertoldo é capaz de sacar o hino dos dois clubes em questão de segundos. Mas o de Londrina...
Dorico da SilvaOliveira: ‘Ouvi, mas não lembro’
Não é diferente com Silas Chaves de Oliveira, também vendedor autônomo e que está na Cidade há 30 anos. ‘‘Já ouvi uma vez, mas não me lembro como é. Acho que a população tem mesmo pouco interesse, esquece. Mas devia ser mais divulgado.’’ A estudante Egnalda Nunes, que mora na Cidade há um ano e meio, concorda: ‘‘Hino? Não tenho a menor idéia.’’
Nem mesmo quem nasceu na Cidade, ‘‘pé vermelho’’ autêntico, sabe cantarolar um ou outro verso de Francisco Almeida. ‘‘Disseram que tem um hino, mas não me lembro. Sei lá, acho que devia ser mais divulgado’’, aponta Israel de Almeida, flamenguista de coração e que, apesar do sobrenome, não conhece e não é parente do autor dos versos.
Pensando no desinteresse da Cidade com os próprios símbolos, como hino e a própria bandeira, o Rotary Club de Londrina Cinquentenário resolveu dar um basta. Montou uma campanha com objetivo de resgatar esses símbolos junto a um público bastante especial: as crianças de escolas públicas municipais de primeiro grau. O projeto foi lançado ontem pela manhã, no gabinete do prefeito Antônio Belinati (PDT). E com toda festa, é claro.
Como não poderia faltar, um coral com cerca de 80 crianças da Escola Municipal Pedro Vergara Correia cantou, durante a solenidade, o Hino a Londrina. O Rotary também entregou 18 mil cópias da letra da música, com nome dos autores, para a Secretaria Municipal de Educação. A secretaria, por sua vez, vai repassar as letras para as 71 escolas da rede municipal. Outras duas mil cópias serão enviadas para algumas entidades e empresas londrinenses. As cópias foram custeadas com apoio da Sercomtel S/A.
Dorico da SilvaEgnalda: ‘Não tenho a menor idéia’
Mas a campanha não pára por aí. No projeto desenvolvido pelo Rotary consta que o Hino a Londrina deverá ser apresentado em solenidades oficiais da Prefeitura; que os alunos das escolas públicas cantarão a música pelo menos uma vez por semana; que a Câmara também convide, pelo menos uma vez por mês, um coral para cantar o hino; e assim por diante.
O presidente do Rotary Cinquentenário, José Antônio Rocco, acredita que não haverá dificuldade em viabilizar a execução do projeto. Ele aponta ainda que o próximo passo será a valorização, também nas escolas públicas e solenidades oficiais, da bandeira da Cidade, abandonada e esquecida pelos londrinenses.
Para Rocco, o desconhecimento da população dos próprios símbolos oficiais deve-se, sobretudo, a uma falha das autoridades, que pouco se preocupam em divulgá-los. ‘‘A gente mal conhece a letra do Hino Nacional. Então vamos dar uma mãozinha para o poder público divulgar um pouco mais o hino e também a bandeira.’’
O secretário de Educação do município, Dorival Perez, concorda com Rocco e acredita ser mesmo uma falha grave do poder público em não divulgar os símbolos municipais, principalmente entre as crianças. ‘‘Vamos agora fazer um trabalho educativo em cima de todos os símbolos. Aliás, esse trabalho já está sendo feito nas escolas’’, garante, já se preparando para uma verdadeira jornada cívica.

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