Campanha quer reduzir número de queimados
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domingo, 06 de junho de 2004
Janaina Garcia<Br>Reportagem Local 
Sessenta e três crianças de zero a 6 anos foram atendidas no Hospital Universitário (HU) de Londrina em decorrência de queimaduras em 2003. O número integra um total de 300 mil pequenos de todo o Brasil, vítimas de algum tipo de queimadura. Desses, nada menos que 18 mil ficaram com sequelas permanentes, sejam físicas ou emocionais, ao passo que 600 morreram.
Os dados da Sociedade Brasileira de Queimados foram divulgados ontem pela organização não-governamental (ONG) Criança Segura, no Shopping Catuaí, pelo Dia Nacional de Luta Contra Queimadura. A ONG comandou a campanha de conscientização, em Londrina, com o apoio do Ministério da Saúde, da Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Corpo de Bombeiros.
A iniciativa contou com a distribuição de material informativo e com orientações a pais de crianças e adolescentes até 14 anos sobre os riscos potenciais de queimaduras. Além dos panfletos, houve demonstrações de primeiros-socorros prestadas por socorristas do Siate.
De acordo com a coordenadora da ONG em Londrina, a advogada Julianne Yoshii, 28 anos, a principal causa de ferimentos dessa natureza são os líquidos quentes ao alcance dos pequenos. Na sequência, aparecem álcool líquido e os aparelhos eletrodomésticos, juntamente com os produtos de limpeza ingeridos ou colocados em contato direto com a pele.
A respeito das medidas de prevenção, o sargento Rogério de Oliveira, 39, do Siate, é taxativo: ''Cozinha é área de circulação exclusiva para adulto. A maioria das ocorrências de queimaduras que atendemos é de pequenos que se feriram lá'', apontou. Entre as mais comuns, continuou o socorrista, estão as facilitadas por hastes de panelas ou leiteiras à mostra, no fogão, ou pelos registros de gás mal localizados. ''Esses dispositivos precisam ficar fora da casa e, de preferência, em locais trancados'', apontou.
Em casos onde a queimadura foi gerada pela ingestão de produtos químicos, os conselhos vêm em dose dupla: ''Não provoque o vômito da criança, pois isso a queima duas vezes. Leve-a imediatamente a um pronto-socorro com o produto usado junto'', aconselhou Oliveira.
Boa parte dos pais que pararam para ouvir os orientadores jurou que a maior parte dos cuidados já é regra em casa. ''Além de nossos materiais de limpeza ficarem em armários altos, ainda ensinamos nossos filhos que o fogão 'frita' a mão deles se os pais não estiverem por perto'', comentou a empresária Adriana Diaz, 37.
Já o administrador Marcus Vinícius Gaino, 35, afirmou que o jeito foi mudar o planejamento da cozinha para garantir a segurança dos três filhos pequenos. O estudante João Henrique Negrão, 11, por sua vez, lembrou que uma brincadeira meio insólita quase lhe custou mais caro. ''A gente brincava de pular velas, mas caí sobre uma, me queimei e acho que aprendi a lição.''


