Campanha quer reduzir contaminação
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 14 de maio de 1999
Vivian de Albuquerque 
No dia nacional de controle da infecção hospitalar, comemorado hoje, o Hospital Evangélico, de Curitiba, lança mais uma campanha para ensinar a pacientes e visitantes as melhores formas de como evitar o contágio dentro do hospital. A referência vem da experiência já feita no próprio Evangélico, que desde 1986, quando foi implantada a Comissão de Infecção Hospitalar, já conseguiu reduzir de 15 para 4% o número de casos entre seus pacientes.
Nós sempre fizemos as campanhas internamente, com os funcionários, explica a coordenadora da comissão de controle hospitalar do Evangélico, Edimara Fait Seegmuller. Mas neste ano, resolvemos incrementá-la, orientando também os pacientes e visitantes. Segundo a especialista, a infecção hospitalar é hoje um dos problemas mais preocupantes em todos os hospitais do mundo, principalmente quando se tem em vista a impossibilidade de alcançar o índice zero.
O trabalho é difícil porque tudo depende do próprio indivíduo, explica a coordenadora. Da resistência dele e do grau de imunidade. Nós, por exemplo, conseguimos reduzir nosso platô para 4%. Mas nunca vamos chegar a zero porque cada vez surgem novas atividades no hospital, que não nos permitem o controle total das vias de infecção. Como exemplo, Edimara cita o caso das seringas de injeção. Em 86, quando foi implantada a comissão, só se usava seringas de vidro. Hoje são as descartáveis, o que é uma vantagem. Mas em compensação, hoje também são realizados muitos mais transplantes e cirurgias complicadas do que naquela época. Assim, tudo pode contaminar, completa ela.
A meta da campanha, que continua por mais quinze dias é atingir pelo menos 5 mil pessoas com orientações desde como lavar as mãos corretamente, até o uso de água e alimentação. Medidas simples que podem facilmente evitar a transmissão das bactérias para doentes já debilitados.
Ontem, vários pais já começaram a ser engajados na campanha. Com os olhos vendados e usando tinta gouche, em lugar de sabão, eles lavaram as mãos antes da visita aos filhos na maternidade. Quando tiraram as vendas, verificaram que muitos lugares apresentavam manchas de tinta, significando que mereceriam melhor atenção na hora da água e do sabão.


