Campanha quer reduzir consumo de álcool
Maigue Gueths
De Curitiba
Só no primeiro semestre deste ano, 130 mil pessoas morreram vítimas das chamadas causas externas, ou seja, de homicídios, acidentes domésticos e de trabalho, afogamentos, desabamentos e, principalmente, violência no trânsito, que é responsável por metade destas mortes. E a previsão é de que, até o final do ano, pelo menos três vezes mais pessoas terão algum tipo de sequela definitiva (lesões neurológicas, cegueira, perda de membros, etc) como decorrência destas causas, e mais de 2 milhões de pessoas serão internadas em hospitais da rede pública para tratamento de lesões ocasionadas pelos traumas. O que mais chama atenção sobre esse problema é que o álcool é um dos maiores causadores dos traumas e mortes consequentes. Nos 130 mil óbitos deste ano, 60% tinham álcool no sangue.
De olho nesses números, a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (Sbot), Sociedade Brasileira de Atendimento Integrado ao Traumatizado (Sbait), Colégio Brasileiro de Cirurgiões (SBC) e Corpo de Bombeiros decidiram centrar a Semana Brasileira de Prevenção ao Trauma, que acontece de 4 a 11 deste mês em todo País, na discussão sobre o uso excessivo do álcool no País. Em Curitiba, profissionais da saúde e técnicos do Departamento de Trânsito do Paraná (Detran-PR) e do Corpo de Bombeiros participaram, ontem, de palestras e oficinas, na busca de medidas para reduzir o consumo de álcool no Brasil. No final dos trabalhos, o encontro elaborou uma Carta de Curitiba, que será enviada, a partir de hoje, a cirurgiões e ortopedistas de todo País, pedindo para que adotem e divulguem as medidas recomendadas pelo documento.
As medidas para diminuir o consumo passam por uma rediscussão sobre as propagandas de bebidas, pelo cumprimento do Código de Trânsito Brasileiro, e por campanhas de prevenção nas empresas, principalmente aquelas com corporação de risco como a Polícia Militar e de transporte de cargas perigosas. É essencial, também, um trabalho nas escolas, preparando as crianças para que ajudem a comunidade e a família na prevenção, disse o médico Luiz Carlos Sobania, presidente da Sbot e coordenador da Ouvidoria da Secretaria de Estado da Saúde do Paraná.
Entre as propostas discutidas ontem estava a sugestão de uma lei que proíba que jogadores e artistas façam propaganda de bebidas alcoólicas. Os profissionais também pretendem criar um movimento de pressão da sociedade, incentivando os estudantes a escreverem cartas a seus ídolos, pedindo que não participem desse tipo de propaganda.
No Brasil, os traumas são a principal causa de morte na faixa etária entre 5 e 40 anos. Por ano, segundo Luiz Sobania, atende-se cerca de 700 mil vítimas de causas externas. Os custos com atendimento médico e perda de produtividade chegam a US$ 1 bilhão por ano.
Além da discussão sobre os efeitos do álcool, a Semana de Prevenção ao Trauma vai expor, de hoje até domingo no Parque Barigui, um protótipo de casa ideal para garantir a segurança dos idosos, chamada de Casa que Protege. No sábado, às 10 horas, também no Barigui, haverá simulação de catástrofes e acidentes, com atendimento às vítimas. Até o dia 11, estão previstas palestras nas escolas e empresas, além da distribuição de panfletos educativos nas ruas.Semana Brasileira de Prevenção ao Trauma começou ontem com o objetivo de eliminar a maior causa de traumas no Brasil
Arquivo FolhaRECORDISTAO trânsito matou só no primeiro semestre deste ano, em todo o Brasil, aproximadamente 65 mil pessoas. O álcool estava presente em 60% dos casos





