Campanha quer proibir mendicância
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sexta-feira, 19 de dezembro de 2003
Adriana Savicki<br>Reportagem Local 
''Tem uma moedinha aí tio, é para ajudar.'' Junto com os jingles de Natal, a frase é quase parte da tradição de final de ano, quando o número de pedintes nas ruas aumenta consideravelmente. Comércio movimentado, 13º salário e uma maior sensibilidade da população para auxiliar o próximo são alguns dos motivos. Como a moeda que pode ajudar alguém a ter um Natal mais gordo também pode ser trocada por crack ou álcool, principalmente pela população de rua e menores em risco, a Secretaria de Assistência Social está coordenando uma campanha de conscientização contra a esmola.
Vinte e cinco faixas da campanha estão sendo instaladas na Região Central de Londrina e panfletos serão distribuídos entre a população. ''Não queremos que as pessoas deixem de ter espírito natalino, queremos que elas não contribuam com a prática da mendicância'', afirma a secretária de Ação Social, Maria Luíza Rizzoti.
Junto com a campanha, a secretaria propõe que a população reverta as doações para entidades assistenciais. Uma das opções é o Fundo da Infância, coordenado pela secretaria. A doação pode ser deduzida no Imposto de Renda e o doador pode escolher o destino do dinheiro, apontando o programa a ser beneficiado.
A campanha objetiva também sensibilizar os moradores de outras cidades que vêm à Londrina. ''A população londrinense já está mais sensibilizada com a questão mas, nessa época do ano, há muita gente de fora na cidade, tanto os que vem a compra ou passeio como os que vêm para esmolar'', explica.
Parada ao lado de uma grande loja de departamentos da cidade, a desempregada Cleide (nome fictício) pede, em voz baixa, uma esmola para ajudar os filhos. Moradora de Cambé (13 km a oeste de Londrina), essa é segunda vez que ela vem a Londrina para tentar conseguir algum dinheiro nas duas últimas semanas.
Segundo ela, além da cidade ter mais movimento, corre-se menos risco de encontrar algum conhecido. ''Tenho vergonha, principalmente porque muita gente me xinga e me manda ir trabalhar'', fala. Cleide tem 26 anos aparenta mais e cinco filhos e diz estar há dois anos a procura de emprego. ''O povo manda a gente ir trabalhar mas quando vou pedir emprego todo mundo pula fora rapidinho'', argumenta. Mesmo com vergonha de pedir, ela afirma que sempre há quem ajude mas não quis dizer quanto havia ganho no dia.
Denúncias de menores em sitação de risco, pedindo dinheiro ou guardando carros, podem ser feitas ao programa Sinal Verde, em qualquer horário, pelo telefone (43) 9991-4568.


